Rotina de escritor

Nesta segunda-feira comecei a escrita do conteúdo novo para a 4ª edição do livro de Expressões Regulares. Trabalhei todos os dias da semana exclusivamente no livro, e o resultado até aqui são cerca de 20 páginas novas, com 43 horas de trabalho.

O tópico sobre Python foi reescrito, passando de 2.5 para 10 páginas. Escrevi um tópico novo sobre o comando find, com 5 páginas, e agora estou no meio do tópico novo sobre o servidor web Apache, que conta atualmente com 5 páginas.

Estes números de páginas são aproximados, só vou saber o número exato quando mandar todo o conteúdo novo para a editora e eles diagramarem. Daí eles mandam para a revisora de português, e aí começa nosso vai e vem de PDFs e quando estiver tudo pronto, vai pra gráfica.

Concentração, precisão e estresse

Mas agora é o momento mais legal da história: a hora da criação. É quando sento aqui e fico horas na cadeira, pesquisando, testando e escrevendo.

Escrever um texto para um livro, é bem diferente de escrever um texto como esse, para o blog. Aqui eu escrevo de maneira mais relaxada e não preciso me preocupar muito com a precisão, pois qualquer coisa depois é só apertar o botão Editar e arrumar o que saiu errado.

Já o texto para o livro requer concentração absoluta e precisão máxima. É tipo a aterrissagem da nave em Marte, só tenho uma chance, tudo tem que dar certo de primeira. Não adianta eu achar um erro depois que o livro foi pra gráfica, já era.

E como perfeccionista chato que sou, achar um erro no livro depois que ele foi publicado, é uma decepção que me estraga o dia. Ou melhor, a semana.

Então este momento atual é também bem estressante. Ao escrever o texto, tenho que me preocupar com o português, com a didática, com a linha de raciocínio e com a precisão das informações. E depois de pronto reler dezenas de vezes para ter certeza que não falta nem uma vírgula sequer, que tudo está em seu perfeito lugar.

Meu cabelo voltou a cair esta semana. Os fios ficam espalhados pela mesa verde. Acontece quando me estresso ou preciso de muita concentração.

Entrando no “modo escritor”

A Mog é a companheira perfeita. Eu avisei para ela que esta semana eu entraria no “modo escritor” e ela entrou no “modo esposa de escritor”. Ela faz tudo para que nada me incomode e eu possa ficar horas concentrado sem distrações. Ela evita falar comigo durante o dia, prepara o almoço sozinha, não fala de problemas, toma conta de tudo para que eu possa ficar com a cabeça 100% focada no trabalho.

É um período estranho. Mas eu não consigo se não for assim.

Se eu não conseguir me concentrar, se não ficar horas absorvido na escrita, sem pausas, o texto não sai. Eu levo muito tempo para conseguir entrar de verdade no ponto de concentração necessário, o foco absoluto. E quando chego nele, aí os parágrafos começam a aparecer. Caso contrário, é um loop infinito de escreve-apaga, e o resultado é um texto pobre.

Começou? Então agora termine

Hoje é sábado, o trabalho continua. Amanhã também. Não tem pausa, quando entro no modo escritor, tenho que ir até o fim de uma vez. Se eu parar alguns dias, vou perder todo o foco e motivação, e essa é a parte mais difícil de conseguir.

Lembra quando eu anunciei que ia começar a trabalhar no livro? Faz quase dois meses. Durante esse tempo me distraí, trabalhei um pouco no txt2tags, em meus sites, na loja da Mog, arrumei coisas aqui em casa, fiz um suporte pro notebook, entrei no Facebook… Somente esta semana consegui me motivar de verdade para escrever.

É difícil. Foco e motivação. Pra mim é a parte mais difícil.

Mas agora estou aqui, focado e motivado. Agora vai :)

Ah, estou tuitando ao vivo a escrita (#piazinho4) e publicando diários de bordo no Facebook.

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Publicado em por Aurelio Jargas e arquivado em Livro com as tags , , , , , .

12 respostas a Rotina de escritor

  1. Meu caso é pior: nenhuma quantidade de concentração faria o texto “sair”. Por outro lado, quando vem a inspiração, posso estar no meio de um playground cheio de crianças com síndrome de abstinência de Ritalina.

    Bem, é por isso que eu não pago as contas com isto :) Já escrever software tem altos e baixos, uma diferença de 50:1, mas 1/50 do meu máximo ainda é suficiente para manter a bola rolando.

  2. Ronaud disse:

    Boa sorte por aí!!!

  3. Esperando para comprar o meu :)

  4. Enrico disse:

    Amigo, segura os cabelos na cachola e vai com fé!

    Conheço muita gente que conhece os teus livros e elogia o teu trabalho, tenho certeza que vai ser mais um sucesso!

    Abraço!

  5. Boa Verde! Vou entrar no “modo escritor” logo mais, já escrevi metade do livro, agora vem a outra metade…

    Bom trabalho!

  6. Claudio Millares Junior disse:

    O modo escritor é quase um modo Steve Jobs =P

  7. alexsandro maia disse:

    Não esquece de colocar teu nome na capa, sem acento! :)

  8. Robson Peixoto disse:

    Uma boa pedida, verde, seria explicar melhor aquelas aberrações dos metacaracteres modernosos =D

    Parabéns e já estou esperando a próxima edição =D

    • Pois é, eu fiquei na duvida se mexia ali ou não, pois se adentrar demais ali o conteúdo começa a ficar muito complicado. Acabei adicionando mais texto somente na parte dos modificadores, como (?i) e (?m), explicando direito o que faz cada um deles e como utilizá-los.

  9. Paulo disse:

    Parabéns pelo trabalho já escrito!

    Uma sugestão: acrescenta conteudo sobre groovy! Acredito que dará uma respiro a mais com os recursos para estes desenvolvedores, bem como os de Java também

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