Vamos falar de grana $$$

Aviso: Texto longo com muitas informações e links, leia sem pressa.

Existem perguntas difíceis de responder. Outras são complicadas. Outras demoradas. E tem aquelas que mesmo respondendo didática e detalhadamente, o inquisidor vai te olhar com aquela cara de “mas do que esse cara tá falando?”. No meu caso, tem uma pergunta que consegue reunir todas estas características:

- O que você faz?

Quando percebo os lábios alheios pronunciando essas palavras, dou um suspiro (interno, imperceptível para outros humanos), sorrio com complacência e me preparo para a bateria de perguntas.

- Trabalho com informática.
- Onde?
- Em casa.
- Mas pra qual empresa?
- Nenhuma.

(Pausa para cara de interrogação)

- É tipo free-lance então?
- É, mais ou menos.
- E como você ganha dinheiro?

(Pausa para meu suspiro perceptível, ainda sorrindo)

Nesse ponto da conversa, tenho alguns poucos segundos para decidir se uso a resposta curta, a média ou a completa. Tudo depende do interesse e disposição da pessoa em ouvir um discurso nerd sobre coisas chatas.

  • Na resposta curta, sou um programador que faz códigos para quem pagar a minha hora de trabalho. E é isso.
  • Na resposta média, além dos programas cito o livro e os anúncios do Google no site. Dizer “escrevi um livro” pode soar arrogante, então às vezes omito essa parte. Agora, quando chega na parte do Google, aí o negócio descamba. O nome já é bem conhecido, mas o esquema de anúncios não. Então dou uma prévia e na maior parte das vezes a pessoa finge que entendeu e mudamos de assunto :)
  • A resposta completa eu raramente faço. Somente quando a pessoa demonstrou muito interesse na resposta média, fazendo perguntas adicionais, sem bocejar. E acredite, isso é bem raro. Ao contrário do que os comentaristas do Br-Linux e do Slashdot parecem acreditar, assuntos nerds são BEM chatos para pessoas normais.

Se você é uma pessoa normal, pode parar de ler aqui.

Bem, você foi avisado(a), depois não reclame. :)

Vou registrar aqui a resposta completa, contando sobre as coisas que faço e como faço. Será uma visão geral das minha fontes atuais de renda, para que você possa entender, estudar, adaptar, experimentar, copiar ou jogar fora.

Vou falar do presente, do que estou vivendo agora. Nada de previsões futurísticas ou achismos.

Programas para terceiros

Quando eu tinha um emprego fixo em uma empresa, lá atrás em 2005, descartava sistematicamente toda e qualquer proposta para fazer um “bico”, um “por fora”. Não que achasse isso errado, mas eu tinha um salário bom e havia outras coisas mais interessantes para fazer no meu tempo livre.

Agora que não tenho mais salário, comecei a avaliar as propostas que chegavam no e-mail. Vem de tudo. Aquelas que sorriem para mim e dizem “venha que você não vai se arrepender, será prazeroso me codificar, não te estressarei”, eu faço orçamento.

Fujo de sistemões monstros e programas de codificação infinita, em time ou qualquer barca furada em que o período de análise dure mais do que o de codificação. O dinheiro não paga o estresse.

Gosto de fazer ferramentas, conversores, parsers, geradores e outros bichinhos de escopo definido, onde geralmente o problema se resume em “tenho tal coisa no formato X e preciso dela no formato Y”. Aí eu gosto. Alguns exemplos são: extrair dados de arquivos XML, arrumar arquivos mal formados, manipular dados da Internet e gerar relatórios.

Após um começo meio conturbado por subestimar a complexidade de alguns projetos e acabar cobrando muito barato, aprendi.

Direitos Autorais do livro

Todo mês a editora fecha a contabilidade e me informa das vendas do livro de Expressões Regulares. O depósito vem na conta todo início de mês, infalivelmente. Os números estão animadores, obrigado a todos!

Meu trabalho com o livro foi escrever e revisar, meses atrás. Agora é só cuidar do marketing para tentar aumentar as vendas. Aliás, se você ainda não tem, que tal comprar agora? :)

Eu já expliquei em detalhes com funciona todo esse esquema de publicar um livro, então não vou repetir aqui.

Venda da Apostila de Shell em PDF

Escrita em 2003 e provando que ainda tem fôlego de sobra (quatro anos de vida!), a Apostila de Shell é um sucesso de vendas até hoje. Freqüentemente recebo e-mail de pessoas interessadas em comprá-la.

Cerca de 70% dessas pessoas realmente a compram. Os outros 30% não fazem o pagamento ou eu mesmo os desencorajo na compra por se tratar de uma apostila avançada, e como tal, não serve para iniciantes.

A pessoa paga e eu envio o PDF pelo e-mail. Simples e eficiente. Saiba mais…

Anúncios do Google no site (AdSense)

Essa é a parte que você estava esperando ansiosamente, não é? :)

O Google (aquele sitezinho de buscas, sabe qual?) tem um esquema muito bacana para quem tem um site na Internet e quer ganhar uns trocos com ele. O nome é AdSense, e o que ele faz é colocar anúncios em seu site, de maneira automática.

A grande sacada é que os anúncios são sobre o conteúdo do seu site, então eles ajudam ao invés de atrapalhar o leitor. Por exemplo, na área de viagens em meu site, aparecem anúncios de hotéis e pousadas. Na área de cursos os anúncios são sobre palestras e treinamentos e na área de música você tem links sobre… …música!

Nota 1: Tá, tem uns anúncios de bateria de notebook e não bateria musical, mas você também não quer que o sistema deles seja mágico né? :)

Nota 2: Se você não achou os anúncios, eles estão em dois lugares: a última linha de links na faixa verde do topo e os links azuis logo abaixo do título da página. Ambos estão marcados com o texto “Anúncios Google“.

Cada vez que alguém clica em um destes anúncios, eu ganho alguns centavinhos. Como o site tem bastante visitas (cerca de 2.000 por dia), são uns 100 cliques diários em anúncios, o que me rende cinco dólares por dia. Já dá quase um salário mínimo no fim do mês, se o dólar não continuar caindo :)

IMPORTANTE: Eu sei que você quer que eu seja rico e feliz, e deve estar pensando em sair clicando em todos os anúncios do site nesse momento. Mas por favor, não faça isso.

O Google não é trouxa e detecta quando isso acontece, invalidando seus cliques. Pior ainda, pode até cancelar minha conta se achar que eu tenho algo a ver com isso.

Então fica o recado: Se você vir algum anúncio que te interesse, tudo bem, clique. Mas não faça isso sistematicamente ou para “me ajudar”.

O dinheiro é sacado no banco aqui no Brasil, pagando uma taxa que varia, mas é cerca de 30 dólares. Por enquanto estou deixando esses dólares acumularem para sacar tudo de uma vez quando for comprar algo caro, tipo o sucessor do meu iBook.

Tem várias dicas quentes sobre o posicionamento e cores dos anúncios, fazendo aumentar o número de cliques. Mas isso eu comento outro dia que é bastante coisa.

Outros

Fora estas fontes primárias de renda, há outras que são bem pequeninas, mas contribuem para o todo.

Doações de usuários de meus programas: Há muitos anos faço programas e os libero gratuitamente em meu site. Alguns deles possuem um grande número de usuários, e uma pequena fração (mas quando eu digo pequena, imagine mínima, ínfima, praticamente inexistente ;) desses usuários doam alguns trocos para me ajudar na manutenção. As doações são feitas eletronicamente pelo site PayPal e com esse dinheiro eu posso comprar coisas na Internet, em sites que aceitam esses créditos.

Venda do PDF do Canivete Suíço do Shell: Este é um PDF bem recente, um guia de referência (Cheat Sheet, Quick Reference) que resume em quatro páginas uma tonelada de informações sobre shell script e suas ferramentas. É tão barato que faz apenas cócegas no orçamento, custa R$ 5,00. Mas ajuda.

Camisetas das Funções ZZ: As lendárias camisetas ZZ foram feitas em comemoração ao aniversário de cinco anos das Funções ZZ, um programa que faço em parceria com meu amigo Thobias. Foi legal, vendemos quase todas e conseguimos levantar uns trocos. Tenho apenas meia dúzia aqui no estoque, essa fonte de renda já está secando. Não vamos fazer mais camisetas, então se você quer uma, corra.

Um pouco de futuro

Este ano vou trabalhar para expandir as fontes de renda existentes e tentar conquistar novos territórios. Mês que vem lanço meu primeiro shareware (programa pago), quero fechar 2007 com quatro livros publicados (estou atrasado né?), quero fazer um e-book em inglês sobre AppleScript e talvez volte a dar palestras e cursos.

Bem, é isso.

Foi aberta a caixa de Pandora.

Esse é o esquema que gosto de trabalhar: um pouco de cada coisa, mudando sempre. Eu enjôo muito fácil de tudo, então assim posso sempre estar fazendo algo diferente, ou algo que fazem algumas semanas que não via. Chaveando, alternando.

Não quero ser ProBlogger, nem escritor, nem programador. Quero poder fazer um pouco de cada e ainda assim ter uma vida livre, desfrutando dos prazeres das coisas simples, em contato com a natureza. Ah tá, o cara virou hippie agora :)

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