Foram 8 anos trabalhando com informática, em funções que exigem concentração extrema e atualização constante: programador, redator técnico e administrador de sistemas. Nas horas vagas mais computador, escrevendo guias, apostilas, livros, programas e sites.
O imediatismo e obsolescência rápida do conhecimento me deixam com a sensação de que muito do que construí tinha prazo de validade. Diferente de um quadro que é eterno, um programa ou um documento técnico precisam de manutenção vitalícia. E quando o cara possui dezenas de documentos e programas para cuidar (meu caso), a vida se torna uma escravidão de atualizações.
Sabe aqueles artistas circenses que equilibram vários pratos em varetas? Sempre devem estar atentos a todos os pratos e ir lá arrumar aquele que está quase caindo. Assim é a minha rotina de nerd. E para piorar, o mais divertido é criar coisas novas, materializar idéias (mesmo que eletronicamente). Então de tempos em tempos lá vou eu colocar um prato novo para rodar, aumentando a carga geral.
Cansei. É preciso mudar. Não quero parar totalmente pois gosto muito de programar e escrever. Mas definitivamente é preciso conter essa proliferação descontrolada de demandas.
Quero ter a informática como hobby em minha vida, algo que faça esporadicamente por prazer, quando estiver afim e não por obrigação. A ditadura dos bugs e dos usuários é pesada. O objetivo é passar de meganerd a entusiasta. Uma involução necessária para manter a sanidade.
Minhas férias já completaram dois meses. Achei que seria bem complicado o processo de desnerdização, mas me enganei. A vida está mais tranqüila do que nunca.
Mudei rotinas, estou adquirindo hábitos novos e o computador cada vez mais perde espaço na alocação de tempo. Para mim é como uma libertação, sem culpa e sem remorso. Ainda há muito a fazer e muitas obrigações para delegar ou abandonar. O número de pratos rodando deve cair drasticamente.
A carreira profissional ainda é uma incógnita. O que sei é que não quero mais brincar de informática. Quem sabe fazer algo relacionado à música ou ao esporte, ou algum trabalho de criação onde a “obra” não exija manutenção posterior constante.
A mente está aberta à espera da idéia. Quando ela vier, o ciclo recomeça: aprender e produzir.
E você, qual a sua história?



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Taí, tô como você. Não estou mais suportando a rotina onde a computação é o meio e o próprio fim. Jamais pensei que isso pudesse acontecer, mas a informática deixou de fazer sentido em minha vida…
kra, tu falou tudo q eu e um amigo conversavamos em umas mesas de bar.
Não dá pra viver muito tempo, nesse mundo de códigos, estresse e bla bla bla.
O lance é tentar algo na humanas… Exatas chega (eu fazia engenharia, fiz proc de dados, e agora tou de pé pro ar pensando no q fazer).
Cara, faz Turismo, sem brincadeira. O curso é muito relax e te garanto que, como programador, vc vai se dar muito bem e var ver diversas oportunidades…… e sem extresse, Turismo e relax e pronto…. claro, eh um curso puxado, exige às vezes bastante estudo, mas nada diferente de outros cursos.
Estou lhe falando de um ponto de vista de um turismólogo que gosta de Linux (e toda filosofia GNU) e de programação em geral.
Sinceramente você falou uma verdade incontestável, informática foi feita para gerar stress, depressão, angústia, mal estar emocional e irritação.
Se trabalhássemos em um local sem contato com os usuários finais, tendo apenas que desenvolver códigos com prazo flexível e dentro daquilo que estamos capacitados a fazer a vida seria melhor dentro dessa profissão.
Estou me programando pala largar tudo em breve e também, começar uma faculdade do zero em outra área que gosto e trabalhar lecionando em alguma universidade até as coisas finalmente se acertarem.
Apoio tua decisão.
Ninguém merece a vida que a informática nos proporciona.
Amigo eu sei exatamente como é isto. Aos 19 anos, sinto não ter vida social. Mais amo a informatica mais que tudo, tirando Deus e claro…
Então mesmo sabendo meu fim, em 6 anos que trabalho com informatica nunca pensei em desistir…
Mas boa sorte para ti…
Passei por isso uma vez. Pensei diversas vezes em mudar de área mas quanto mais conversava com amigos de outras profissões mais percebia que não é a informática o problema. Penso que seja o mundo, que num processo caótico de capitalismo desenfreado empurra as pessoas num ciclo vicioso de trabalhar para consumir.
Cada vez mais você trabalha para comprar mais, nunca chegando num ponto de satisfação que o faça feliz. Acredito, penso, que falta mesmo é um parâmetro de felicidade, algo que referencie o que, porquê e quando devemos parar porque já temos tudo que precisamos.
Eu tenho refletido muito sobre isso, tentei chegar em algumas conclusões e tenho algumas opiniões. Agora vem a parte mais trabalhosa: Como moldar o mundo para me deixar viver como eu quero, até onde eu preciso.
Mas, sei lá, antes eu ficava revoltado. Hoje, acho que tudo isso faça parte de um aprendizado para algo maior, seja onde for.
Mas que é foda, é foda!
Zé Ricardo
Beleza Aurélio?!
Cara, li o que você escreveu e foi exatamente o que fiz há 5 anos. Trabahava na área de suporte e configuração de redes em unix, linux e windows. Toda hora estava indo para um lugar diferente e, ao contrário do que muitos possam pensar, nunca conhecia a cidade onde estava, pois era do aeroporto para a “sala de máquinas” e voando para apagar utro incêndio onde quer que me enviassem. É sério mesmo esse papo de atualização constante e depois de certo tempo um sentimento de frustração por que tudo o que vc sabia não vale nada (quantos anos perdi com o OS/2…).
Mas certo dia me pediram um help para ajudar uns caras a montar um departamento de videografia em uma emissora de TV que trabalhei. Eram computadores, mas com algo especial na época (1997). Eles podiam gravar vídeos e áudio e brincávamos com todos os novos efeitinhos (meio precários comparados aos atuais) e eram bem divertidos.
Nasceu o desejo de fazer algo diferente.
Mexi, fucei e aprendi a ligar minha criatividade com algo que rendesse prazer e fonte de renda.
De uns 3 anos para cá me tornei de fato um editor de vídeo e confesso que estou muito feliz com meu trabalho, de saber que através dele posso passar algo de bom para os outros e que posso me considerar um artista. Hoje trabalho em uma faculdade de cinema e posso dizer que muito do meu background na área de informática me permite explorar cada vez mais fundo os plugins e efeitos que programas como o After Effects, o Final Cut e o próprio Premiere nos oferecem.
Hoje estou realizado como artista digital e nunca mais usei o prompt do micro para ver qual a configuração da rede e tal.
Agora eu sou Plug & Play.
Abraços e continue no caminho, você já está lá.
E. Pessoa
gostei da sua foto, vc está ótimo de óculos novo ;-)
Porra muleque! Tu é um cara que eu admiro! Tô com as mesmas idéias, mas tu conseguiu colocar no papel (no caso no blog) exatamente o que eu penso. Se vc achar alguma alternativa de emprego nos avise.
Abraço!
Após 7 anos como técnico de manutenção, parei em dezembro. Como repciso comer, estou trabalhando free lancer até ver no que dá. Minha intenção é fzer concurso público numa área totalmente diferente, mas se não der e eu tiver que ter patrão novamente, não vai ser com informática, que eu adoro, de um certo ponto em diante, foi só amolação: Cliente que acha que sabe tudo (ou que tem um primo/sobrinho “que faz informática” e manja tudo), chefe que não tá nem aí pra você, na minha área especícica, cliente que mente descaradamente sobre um problema pra que se a culpra for do técnico ele não precisa pagar, cliente querendo que voce faça micro velho ser tão bom quanto novo (e de graça). Cansei! Quero virar Delegado Federal pra meter o pé na porta dos vagabundos com o Jornal Nacional filmando…
eu trabalho no ramo há dez anos, integralmente. Mas fiz o primeiro curso de windows em inglês, no tempo em que o sistema vinha em uma dúzia de disquetes.
Por algum tempo trabalhei em duas frentes, manutenção e arte-final. Até comecei a fazer algo em programação mas o sistema mudava e eu tinha que me atualizar e quando aprendia o novo sistema ele mudava a linguagem de novo. Larguei de mão, nunca tive vocação pra nerd.
Não aprendi linux nem configuração de rede. Aliás, não aprendi nada que um usuário pudesse mexer e desmanchar meu trabalho.
Tanto que até hoje não tive saco de fazer um site. E agradeço por não ter feito, pois uso meu tempo pra lazer e não pra atualizações.
Hoje estou focado 100% no comércio. Software? só o básico do básico, configuração e nada mais. Não
quero nem saber se o messenger parou de funcionar ou se a página do orkut não abre. A máquina funciona? Então tivira, man… quer andar de carro, vai aprender a trocar pneu.
Hoje o comércio está duro, o cliente já aprendeu a pesquisar e sabe preços até melhor do que eu. Foi-se o tempo em que dava pra ganhar horrores com essa área, com poucos profissionais e clientes mal informados. Como eu sempre trabalhei com ética, não me afetou muito. Mas vi muita gente quebrar por praticar valores fora do mercado.
Inclusive na área de software.
Hoje o que é valorizado na “nossa” área é o que sempre foi valorizado em qualquer área: o trabalho artístico. Eu lido com todo tipo de cliente. O pai de família vem pusto porque a filha adolescente bagunçou o internet explorer. O técnico de rede chega bufando e sai correndo. O programador entra xingando e fica chorando no balcão.
Aí vem o artista. Trabalha com arte final, produção de video, essas coisas. Vem com um amigo, pois não gosta de andar sozinho. Entra na loja, senta, conversa, vai buscar cerveja, conversa mais um pouco, Depois vai falar do que precisa. Nunca é problema de software. Meia hora depois que chegou ele vai buscar a máquina no carro. E espera.
É bem isso que o Parente comentou. São pessoas de bem com a vida. Felizes com o que fazem. Usam sua criatividade todo o tempo. Artistas. Dinheiro? acho que ganham… mas dinheiro é mera consequência. Picasso também ganhou algum dinheiro em vida. Mas o que ele mais prezava era tempo pra viver.
Eu vou ficar na área por um tempo ainda, mas do jeito que venho vivendo há algum tempo: hoje eu sou um comerciante. Se eu vendesse bananas, não iria ensinar a descascar. Compra a banana e vai aprender a descascar lá na sua casa. huahuahua.
Olha, já passei por isso… Aliás, já passei por muita coisa nessa área de Informática, maldita e bendita ao mesmo tempo….
Trabalho programando e dando suporte de software, rede e Hardware dentro de uma firma. O trabalho é bom, muito serviço sempre, gente ligando para tudo, desde liberar uma porcaria de e-mail até um pau violento que o sistema dá. Mas não reclamo, traço um plano e faço conforme eu posso, sem stress, na calma.
Qundo me chega algum chefe, sempre desinformado, bufando querendo que eu faça para ontem algo que demora 1 mês eu digo: Está na fila de prioridades, será feito…. Se ele xiar vai ficar falando sozinho ou no máximo com um Nerd (eu) que nem tá ligando.
Aprendi a trabalhar desse jeito pois cheguei ao extremo da “nerdisse”, até o final de 2005 o trabalho me consumia das 8h da manhã até quando eu pudesse ficar na firma… Algo não muito humano, garanto… Cheguei ao ponto de procurar fazer um curso de mecânica, que eu amo, embora não tenha dado certo. Acabei parando para pensar e resolvi mudar primeiro o meu modo de trabalho, se ligar menos nisso, determinar horários de trabalho, o que antes eu não tinha, me preocupar menos com trabalho e viver, isso mesmo, viver! Fora do trabalho encho minha cabeça de coisas que não tem NADA haver com informática, treino em academia (o que ajuda muito), lido com meu carro, troco idéia com o pessoal de listas de discussão sobre carros antigos…
No final das contas, o que eu queria dizer mesmo Aurélio é: Cara, se vc desistir de informática e ir para outra área, de todo jeito, vc não vai “ser feliz” pois em qualquer área vc vai ter “pratos a sustentar”, o que vc precisa fazer é saber a hora de sustentar esses pratos, bitolar menos, achar um ponto de equilíbrio entre viver e atualizar as criações…
Bom… depois de um Km de texto, acho que é isso…
Abraços e espero ter ajdudado…
Luiz Redes
Eu acho que qualquer coisa em exagero é ruim, inclusive nerdice. Quando entrei na faculdade tive uma grande decepção: transformaram a programação em uma coisa chata, sem prazer, sem diversão e as empresas seguem o mesmo caminho. Talvez por isso o posto de “nerd” canse tanto, pois somos sobrecarregados de responsabilidades/habilidades enquanto assistimos à incompetência alheias.
Desde então comecei a criar maneiras de relaxar e conter o impulso nerd de estudar e programar. Não perco finais de semana com isso, nem madrugadas como antigamente. Conversar sobre isso? Só na net mesmo e com propósitos claros: sanar dúvidas, contribuir quando possível e debater novas tecnologias.
Criei um blog, que no final das contas acaba servindo como válvula de escape ou uma simples desculpa para me entreter e desviar do foco computacional. Claro, nem sempre isso é possível, embora tenha dado certo.
Enfim, acho que não desisto dessa vida de nerd, mas controlar o impulso nerd pode ser tão importante quanto aquele maldito código que não roda ou aquele artigo interessantíssimo que encontramos depois de horas de pesquisa. Uma(s) cerveja(s) então, nem se fala.
Aliás, vamo ae?
[]‘s
Acho que todo o problema está no exagero. A informática pode ser potencialmente mais estressante porque você pode aprender infinitamente. Mas as pessoas estão sujeitas à pressão em qualquer profissão que escolham.
Eu já tive “um e meio” episódio de “burnout”. Um em 2002 e outro (o “meio”) no final de 2006. Mas ambos tiveram razão extrínseca à profissão: a primeira foi devido a um mau cliente, a segunda devido a morar em Recife.
Agora vou imitar o Aurélio mudando para uma cidade litorânea de 10k habitantes. Vida barata, um Mac Mini, e pretensões de escrever um livro.
A corrida de ratos da vida urbana não faz sentido. É uma vida cara, pesadamente tributada, cuja única compensação é uma maior variedade de lugares para te fazer gastar seu dinheiro. Penso que muita gente está quebrando (financeira ou psicologicamente) devido a esse fator e colocando a culpa na profissão, erroneamente.
Nah. O problema não é ser nerd. O problema é ser um nerd corporativo. Não ligo de aprender sistemas novos, fazer programas simples, ler tutoriais, e todo o resto, se eu sentir que estou aprendendo com isso, e me sentindo bem. E acho que boa parte dos nerds de informática sentem o mesmo.
O problema começa quando você vai pro mercado de trabalho, e ninguém entende direito essa visão. E, quando você é cobrado para fazer aquilo que gosta num tempo que não é seu, ou quando é obrigado a fazer coisas que você sabe que não são as mais certas, o normal é que você passe a odiar aquilo.
Na informática a situação é mais clara, pois programar, administrar rede, dar suporte a usuários, exige demais da mente, e ela precisa estar descansada pra isso. Aí a impressão de que ela desgasta mais.
Mas não considero a área ruim. Só queria não ter que lidar com usuários burros e chefes incompetentes…..
Estou no barco. Minha motivação pra trabalhar é essencialmente estética, e não agüento mais ter que fazer meu trabalho do jeito pior, com a linguagem pior, no padrão pior ou pro SO pior porque o patrão ou o cliente quer assim. Mexer com Linux e programação por hobby é legal, mas trabalhar não.
Aém disso, tem o problema do convívio social. Em minha experiência, o meio técnico é surpreendentemente conservador, ao contrário de (por exemplo) a cultura dos cientistas do meio do século XX. O cara técnico médio é hetero, monogâmico e pouco tolerante com diversidade sexual; lê Tolkien e Asimov mas não Dostoievsky, Shakespeare, poesia; assiste Lost e Heroes, mas não Lynch ou cinema europeu; muitos são religiosos e moralistas; muitos têm como objetivo de vida apenas a escalada social, o próximo carro, o home-theater, e são antipáticos com quem busca outras coisas. Essas diferenças podem parecer inofensivas, mas os atritos diários acabam deixando pessoas como eu meio deslocadas — e ser um deslocado social numa sociedade de nerds é o fundo do poço!. Me dou melhor com o pessoal de Humanas.
Terminei o curso de ciência da computação e vim para São Paulo estudar letras em japonês, minha vocação. Em Curitiba eu tinha me envolvido com oficinas de literatura, concursos de contos, e o plano original era largar computação cold turkey e já lutar por uma vaga na Devir ou Conrad ou algo do tipo. Porém, devido a um pequeno imprevisto (o imprevisto chama-se Valentine e nasce mês que vem), pela primeira vez na vida preciso de dinheiro. Consegui uma vaga de sysadmin Linux e vou estudar à noite, vamos ver quanto sucesso tenho no modelo “day job”.
Cara, se eu pudesse não teria entrado nessa área.. mal comecei e ja estou pensando em que fazer pra sair fora =\
Pra mim o problema não é informática ou a “nerdisse”. O problema é ter que trabalhar num ambiente (ou “ecossistema”) que está longe daquilo que gostamos ou sonhamos quando somos jovens e entusiasmados. :-)
Infelizmente a maioria das empresas de software utilizam ferramentas caras, processos burocráticas e pouco se importa com a motivação de seus funcionários. Os desenvolvedores e profissionais de informática por sua vez, em geral tem formação ruim e não encaram o trabalho como algo prazeroso.
Como o mercado só colabora pra que a situação piore, o resultado é que trabalhar com informática não está sendo diferente do que trabalhar em outras áreas saturadas e sem graça.
Acho que o segredo é estar sempre se sujeitando a mudanças, sejam mudanças no tipo de trabalho, de ambiente ou mesmo de local/cidade. E arranjar um bom hobby que quem sabe um dia traga o pão pra mesa… Pelo menos essa receita tem funcionado pra mim :-)
Por um quase ano deixei o computador e todas as nerdices para trás.. Mas acredite, depois de um tempo fiquei depressiva, triste mesmo.. Não aguentei… Realmente é um vicío, espero que você consiga superar.. Eu, que jurei não passar mais de duas horas na frente do computador, já estou há quase 11 horas aqui…
Desde os idos de 1993… Lembro do Camisa de Vênus, dos Replicantes, da Edisa, da Prológica e do MSX… do Fernandinho, do Beto or Die e do Léo Kakinho… Ultraje a Rigor e andei com as Rat Bones (as rodas da hora, daquela hora!).
Hoje sou estressado, tenho hipertensão e virei um POGamador tosquinho em uma organização semi-publica.
Logo, entendo o por quê da minha atual necessidade de ler Sartre(Jean-Paul – O Ser e o Nada, Ensaio de Ontologia Fenomenológica), Semler (Ricardo – Você Está Louco!) e aquele do Capra(Fritjof – O Ponto de Mutação). O Pequeno Príncipe (do Exupery) é meu livro de cabeceira.
Quando estou quase pulando pela janela, ponho os ramones na vitrola (você não sabe o que é vitrola?)…
Estou quase me tornando um “contra-globalizador” e declarando um movimento off-offshoring, contra massificadores americanos e brasileiros que se dedicam a ganhar seu dinheiro às custas do trabalho quase escravo dos outros… lembrando até aquela manifestação “Aureliástica” do “tecnoescravo”.
E não, “o mundo NÃO é plano”! Ele continua redondinho e qualquer idiota sabe disso!
Como diz o ditado, trabalhar é fazer algo que você normalmente não faria de graça. Percebo nos posts um certo parnasianismo em relação à informática, querer fazer “arte pela arte” (leia-se: lidar com coisas e pessoas sexys num prazo infinito sem precisar preocupar-se com dinheiro) e naturalmente sobrevém a decepção.
Que tal todos focarmos mais nas necessidades (geralmente mundanas, admito) do cliente e tratarmos de ganhar dinheiro? :)
Acho ninguém que trabalha com informática precisa ser um übber-nerd, bitolado sem vida social. Dá tranquilamente pra equilibrar as coisas. Sempre tive tempo para praticar esportes, ir pra baladas e butecos. Igualmente sempre me sobrou tempo para escovar alguns bits em casa. Flames sobre qual o melhor algorítimo tem sua hora, igualmente flames sobre qual a menina mais gata da festa ou a melhor moto para pegar estrada (acho que só de usar a palavra “flame” já contradiz tudo que escrevi e me classifica como übber-nerd, hehe).
Hoje estou dando uma folga… resolvi viajar para relaxar e clarear as idéias. Mas mesmo assim não deixei meu lado nerd de lado porque estou fazendo um blog de viagem. :)
http://www.rockpesado.com.br
cara realmente, informatica é muito estressante, eu simplesmente não consigo relaxar, mesmo nos momentos de folga, é sempre alguém te enxendo para ir ver um virus no pc, alguem com pc q nao liga pedindo pra ir dar uma olhadinha “é alguma coisa simples, da uma olhada pra mim”.. e assim as coisas vão acumulando e o stress aumentando, trabalho há 4 anos(sem férias) como técnico e administrador de redes e acho que estou chegando no limite, o celular toca o tempo todo e eu não consigo atender todos ao mesmo tempo, em casa fico muito tempo no computador tentando aprender algo novo e fazer um grande lance que possa me render dinheiro sem muito esforço no futuro mas acabo ficando com mais coisa na cabeça e aumentando mais minha irritação, e pelo visto não é um problema isolado, ja que sao muitos comentarios parecidos, não sei até onde isso vai dar, nem sei se tenho ânimo para começar uma nova profissão como outros relataram, bom talvez um dia eu consiga um grande lance e jogue esse lance de manutenção para o espaço!!!
Pois é… essa onda de autodepreciação seduziu-me levemente. Não sou um exemplo de supernerd como as honradas pessoas que explanaram suas visões nesta página, mas tenho regalado a informática um lugar de destaque nas pululações mentais que norteiam minha existência, seja no campo financeiro ou psiquico.
A anos dedico-me com afinco na aprendizagem das mais variadas áreas pertencentes a computação. Uso Linux, aprendi todos os programas sozinho, estou aprendendo programação e etc. Já tive altos e baixos. Altos quando resolvi problemas dificílimos ou ganhei aquele troco num grande projeto e baixos quando desiludi-me com o mercado, as pessoas relacionadas a eles, os movimentos filosóficos que seguia, ou comigo mesmo.
A vida é assim mesmo, existe uma alternância clara entre momentos bons e ruins. O importante é ter noção de que tudo é passageiro os momentos apetecíceis e os nem tanto. Mudar de profissão pode até ajudar a pessoa a esquecer momentaneamente as inquietações que desagradam a alma, mas elas virão num futuro não muito distante, querendo ou não o vivente.
Pessoal, essa cyber-realidade é uma vitória de todos nós, desempenhamos um papel importantíssimo para a atualidade e estamos calçando o alicerce do futuro através de todo esse feedback e melhoramentos promovidos pelas ferramentas que desenvolvemos, artigos, pontos de vista que compartilhamos e afins.
Geralmente atribuo o desânimo a quatro fatores:
Ausência de sentimento de importância –> Os nerds não se mobilizam no “mundo real” para atividades entretetivas e fraternais, não tendo noção do tamanho importância da comunidade. Conheci um amigo que usa Linux e partilha o mesmo ponto de vista que tenho em relação ao mercado e a filosofia opensource. Foi maravilhoso tomarmos aquela “breuja”, debater a atualidade e enaltecer os valores nerdianos. Assim como os ascéticos e irmandades se reunem nós deveríamos fazê-lo. Promover encontro de nerds, desenvolver atividades diversas e… hehehe, até encontro passionais entre nerdos e nerdas nessa salada cyber-cultural.
Sentimento de solidão e isolamento –> Por não contar com os valores descritos acima o nerd tende a isolar-se e imaginar-se inútil para a comunidade geral por não encontrar paralelos objetivos entre a sua atividade e as necessidades da população corrente.
Exaustão –> Todos sabem que o stress faz parte do cotidiano do nerd. Ele quase se mata para resolver os probleminhas que encontra pelo caminho. Fica exposto ao micro por um looooooongo período de tempo e é comum que não durma direito e não coma direito em razão dessa rotina.
Falta de motivação pecuniária–> Por fazer geralmente o que gosta o nerd acaba embrenhando-se em projetos que quase sempre não fornece a ele rendimentos pecuniários. Assim, sem um “pila” no bolso e sem o poder descartável mas necessário que ele oferece acaba perdendo a motivação e até desmerecendo-se como pessoa.
Os três contextos se completam num círculo vicioso.
Por isso digo: nerds do Brasil uni-vos! :P
Brincadeiras a parte, já sofri muito com o que mencionei, mas sempre tenho um resquício de esperança. Ainda penso em desenvolver um programa que seja útil a um uso geral, mas diferente do que o mercado oferece. Sinto um imenso prazer quando estou trabalhando e principalmente quando tenho desafios novos e instigantes. Não pararei de ler sobre tudo o que tenho lido, apenas respeitarei os meus limites e ampliarei o escopo de prazeres aos quais posso lançar mão. Um ser humano culturamente diversificado é mais feliz. É feliz no campo psiclógico por que não é bitolado e é também no campo profissional, pois conta com muitas saídas diferentes na solução de problemas.
Grande abraço a todos e em especial ao meu camarada Aurélio.
E ai Aurelio, quero dizer que acompanho o teu site e me identifico com quase tudo nele, e tambem me chamo Aurelio hehe Mas entrando no assunto:
A verdade é que não tem como um ser humano ser feliz 100% de sua vida, sempre estaremos querendo algo mais, seja financeiramente ou espiritualmente. E não existe área onde vc possa trabalhar sem nenhuma preocupação, de certa forma sonhamos com uma vida utópica que na prática nunca acontecerá.
Mas deixando o pessimismo de lado hehe acho que podemos melhorar MUITO a nossa vida agindo da “forma correta” seja lá qual for essa forma pra vc e não deixando que palavras mau intencionadas de outras pessoas lhe afetem.
“O inferno são os outros” mas nem sempre, as vezes somos nós mesmos:)
Duas frases que resumem o que estou pensando agora.
“Não existe trabalho ruim, o ruim é ter que trabalhar”.
“O trabalho é uma violência contra o homem.”
Bom dia pessoal, Aurélio, não tive o prazer de conhecê-lo, nem de conhecê-los, sim, pois para min é um prazer conhecer pessoas novas, idéias diferentes.
Vou contar um pouquinho de minha história, vou tentar ser objetivo a um plano de “Carreira” que tracei e um plano pessoal.
Quando tinha 13 anos comecei um cursinho de Informática numa escola conhecida, fechei o curso com a menor nota sendo 9,5(O que para min é super intrigante, pois na escola não costumo tirar mais que 8 huhuhu), com 15, comecei um colégio técnico, fui o primeiro da escola a conseguir um estágio(Remunerado) ainda no primeiro ano, simplesmente pelo destaque pessoa(Novamente a situação de notas, a nota mínima nas matérias técnicas foi 8, enquanto nas matérias do colegial rs 5! uhauhau) isso me motivou a aprender mais e continuar, adquirir conhecimento, escrevo bem, mas nunca tive saco para gerar um Texto ou um Tutorial(embora saiba muito sobre pouco, rs), nunca foi meu forte, sempre me dediquei a ter idéias e colocá-las em prática, no 3º ano do colegial entrei numa Lan-House para trabalhar, era um saco, não agüentava mais o trabalho, mais adorava a vida social que tal me proporcionava, amigos, amigas, colegas, muitas mulheres, cada semana uma diferente, sem queimar meu filme por isso, afinal elas me procuravam, mas encheu, quando me formei pedi as contas, estava cansado, queria férias e tive, fiquei 4 meses descansando, fazendo apenas bicos, um pouquinho aqui outro ali, até me apareceu uma oportunidade de trabalhar com o que gosto, LINUX, simplesmente me pagavam para ter idéias e aplicá-las por em prática, adorei isso, conheci uma pessoa na mesma época, com que em breve me caso, fiquei um ano e meio lá, só sai porque a empresa decidiu na contramão do mercado, o gerente tinha uma visão completamente financeira, queria ver dinheiro na mão, enquanto que em vendas de serviços, dificilmente um vendedor tem resultado na venda de um “produto” com menos de 3 meses, não davam tempo para a coisa crescer, então atendia somente ao contratos existe(12), a coisa foi me cansando, pois não apareciam novos desafios, ai SAI, pedi as contas novamente, entrei no meu atual emprego, A já estava sem a namorada a mais de um ano pois me dedicava muito ao trabalho e logo comecei a cursar faculdade de Analise de Sistemas na PUCC, depois de um certo tempo aqui(6 meses, eu sei que sou precoce,rs), comecei a refletir e ler sobre filosofia, estudar alguns pontos de psicologia, a entender o porque e como o mercado funcionam, como e porque o usuário reage de determinada forma, ou adquire certa postura, graças a habilidade social(aprimorada na Lan-House, rs), me dei e me dou bem, com todos colegas de trabalho, fornecedores, chefes, patrões, sem puxar saco, tanto que minha carreira deu salto neste momento, passei de mero Analista de Sistemas a Gerente de Ti(Claro na carteiro e no salário ainda sou Analista Junior, afinal me falta o canudo e a “experiência”), mas topei tudo com a responsabilidade de sempre, neste mesmo período voltei com o “Amor da Minha Vida”(pelo menos enquanto durar será, rs), decidimos nos casar, felizmente ou infelizmente, agora também preciso mais que nunca de $$$ pois uma mocinha linda chamada Jasmim nascerá mês que vem(Parabéns ao papai ai de cima também, somos 2 sortudos XD), só que não penso em largar a informática, alias, já viram um Analista sem Computador?! Sou um! huhuah, porque gerencio meu tempo hoje muito bem, trabalho em 3 empresas, numa sou empregado, noutro associado e em outro proprietário(sócio), fins de semana viajo, descanso, saio, me divirto, diria 90% laser, pois as vezes nos sábados ou domingos tenho reuniões de minha empresa(Onde estamos começando a atacar o mercado) mas todas em mesa de bar, sempre, o trabalho rende, todos ficam bêbados, rs, e felizes. Já esta definido no plano da empresa, a qualidade de vida dos funcionários, meu investimento não será em produtos e sim em pessoas, aliando a visão comercial a qualidade de vida, pretendo que tudo na empresa renda mais, gerando motivação, atitude, idéias, alias a empresa vive de idéias, então encorajo as mesmas… Assim como muitos aqui, é conseqüência de anos de experiências, positivas e negativas, na área de Ti, estou a 7 anos trabalhando… Agora é a hora do Job For Fun, mas com compromisso…
Hoje estou mais na linha Administrativa da TI que em produção, ainda assim ganhando dinheiro, afinal meu plano pessoal é trabalhar por prazer E ganhar dinheiro com isto… Chega de escravidão hehhe, quem sabe aposentar antes dos 30 ou ter no mínimo independência financeira para a qualidade de Vida ser ainda maior.
Se me permite um comentário, ou melhor uma opnião, Largue os artigos e textos, escreva para você, ou para os outros se isto te da prazer ótimo, mas faça por prazer…
Fins de semana, divirta-se, venda seu PC(Se não depender dele 100% para trabalhar), abandone caso tenha vicio em jogos, programação só por prazer.
Mude o foco da Informática, faça dela um fim ou um meio, se satisfaça, ame o que faça e faça o que ama, se a empresa não te der esta oportunidade procure outra! Ou abra a sua como eu…rs
Boa sorte na sua iniciativa e SUCESSO!
Aurelio… Meus parabéns, você é um exemplo a ser seguido cara!
Estou as voltas com minha carreira em TI. Mas é bom ter exemplos como o seu, provavelmente vou seguir algo parecido… Filosofia parece um caminho interessante! Que sabe não é… Mando notícias!
Abraços.
Pessoal, estou vendo que as conversas que tinha com meus amigos de Ciencia da Computacao sao as mesmas que estao escritas acima, entao nao vou falar da minha historia nem das minhas ideias, mas vou dar a minha solucao:
Estou fazendo mestrado na Italia (www.unibz.it), lidando com computadores e estudando muuuito menos que na graduacao no Brasil (www.ufes.br) e curtindo muito mais. Mais informacoes em http://www.erasmusmundus.com
Parem de culpar a computação por suas desilusões! A computação nasceu para ser divertida e se mantém divertida. O maior problema são os engravatados que a expreme para ganho pessoal estragando-a. Assim como tudo o que tocam.
Pois é pessoal. Como muitos aqui nunca pensei que iria sair da computação, mas ultimamente tá foda. Larguei a informática como profissão a +- 1 ano e to em outra. Mto menos estressado. A unica coisa q ta me deixando cada vez mais estressado é a faculdade. Faço ciênca da computação também e utimamente tá um saco. To muito sem saco pra ela. To na metade do curso, mas to pensando seriamente em mudar pra Direito, que era o que eu deveria ter feito desde o princípio… O problema foi ter gasto uma banana até agora…
O mais incrivel e’ eu estar fazendo o caminho inverso!!!
sou violinista a 13 anos, e to de saco cheio de ter que todo dia manter a foma(estudando). Agora aos 32 to estudando linux que nem um doido pra trabalhar na area.
Putz… sera que o problema no e’ na gente?
TIMUS
Boa tarde, estou passando por um periodo bem parecido, a diferença é que trabalho em cooperativa de crédito liberando e controlando emprestimos já tem 4 anos sem tirar nenhuma férias e, é a segunda crise que passo na empresa, para piorar a situação, faço faculdade de Sistemas e as duas atividades causaram um desgaste mental muito grande, hoje não consigo mais estudar direito, não consigo trabalhar direito, me consentrar em nada, dormir então nem sei mais o que significa, perdi o foco, sempre fui uma pessoa determinada no entanto hoje, estou completamente sem visão do meu futuro.
Penso que o que deve ser combatido e eliminado de nossas vidas é o stress.Um dos melhores remédios que conheço é o esporte, se mexer. Diariamente nado(1500 m -manhã) e corro(10 km – ao entardecer) e isso tem me feito um bem incrível. O lema vale: NO STRESS
concordo plenamente!, o corpo humano precisa de 4 coisas pra funcionar corretamente:
0 comida
1 água
2 descanço
3 exercício
O problema é que essa galera da info acha que não tem tempo pra exercício, reflitam sobre isto:
“Aqueles que pensam que não tem tempo para exercício físico, mais cedo ou mais tarde encontrarão tempo para as suas doenças.”
Edward Stanley, Earl of Derby (1826-93), British statesman. The Conduct of Life, address at Liverpool College, 20 Dec 1873.(traduçao livre)
Você começou a contar do zero…
Pois é…
Sei que esse post é antigão, mas deu vontade de comentar por me sentir na mesma situação. Olha que ironia… depois de cursos, bacharelado, certificações, me pego querendo fazer faculdade de fotografia!!!
Ainda mais quando vejo uma empresa pedindo um cara certificado em Oracle e Red Hat para ser analista de suporte à 1500 reais por mês em regime de escalas de fim de semana. Já deu o que tinha que dar.
Se esse é teu sonho, corre atrás mesmo! E já que você se qualificou, se depois quiser voltar à informática é mais fácil, então até tem uma garantia.
Também penso assim, só de pensar que um dia eu já vivi de música…
Acho que com o tmepo vou voltar a ser apenas músico, ou quem sabe fazer culinária, corte e costura… algo menos estressante!
Abraços
Dos 11 aos 14 tive um contato com Html, Flash, Asp e freelancer.
E conheci eles! Sim, eles! Os CLIENTES!
Vi que era algo que realmente não queria na minha vida.
Sei que você não gosta muito de escovar bits, mas entre programar, matemática, física não há muita diferença. É tudo pensar, criar e raciocinar.
Fui pra Matemática/Fìsica, fiz olimpíada dessas matérias, cursinho militares, tive a melhor experiência de minha vida em 2 anos de IME – Instituto Militar de Engenharia, mas vi que não queria ser militar.
Hoje estudo Engenharia de Computação e Telecomunicações…C, Assembly, Microcontroladores, Arduinos, Microprocessadores…estudo, aprendo, tenho o costume de resumir o que estou aprendendo e divulgo no meu blog e no meio GNU/Linux.
Resumindo, prefiro trabalhar com os elétrons do que com os usuários :)
Mas não tenham ideia errada…programar as portas lógicas, fazer operações com bits etc não é diferente de programar em awk ou mexer no sed, ou da época em que eu quebrava a cabeça tentando entender um código HTML.
Como disse no início, é tudo questão de raciocinar.
O importante é compartilhar;