A Mog foi no FISL

Eu tô doida pra contar o quanto eu me surpreendi com o carisma e com o sucesso do Aurélio e do livro novo. Ao mesmo tempo, é legal lembrar hoje que o Aurélio estava meio desanimado pra ir no FISL, e divagar sobre o que teria acontecido de diferente se não tivéssemos ido. Bom, mas como isso não aconteceu, aqui vai a minha versão dos fatos, com muitos detalhes e os babados do evento.

Todos sabem que o Aurélio adora viajar, mas dessa vez tudo conspirava para a não-saída do ermitão Aurélio da sua querida caverninha em Matinhos: viagem longa e cansativa até Porto Alegre; o fechamento do livro foi um período estressante; o livro tomou muito tempo, e com isso os vários projetos do Aurélio ficaram de lado e precisavam ser retomados; e eu teoricamente não poderia viajar junto, pois preciso me formar e terminar minha monografia até julho.

O bom é que estes detalhes ficaram para trás, quando unimos o útil ao agradável: a irmã do Aurélio, a Karla, mora com o marido em Porto Alegre, e nós ainda não conhecíamos a casa dela. A mãe e o padrasto do Aurélio também gostam muito de viajar, são uma ótima companhia, e queriam visitar a casa da Karla e ver o Aurélio no Fisl. Estes motivos convenceram o Aurélio a fazer a inscrição pro Fisl, combinar com o editor o lançamento do livro lá, e passar em Joinville pra pegar a Mog. Eu que não perderia este momento do livro de Shell por nada! Eu sabia que ia ser um sucesso!

A viagem até Porto Alegre foi longa, 12 horas de estrada numa BR 101 em obras, mas viajamos tranqüilamente e chegamos lá na quinta à noite. A anfitriã nos esperava com um sorrisão no rosto, mas alguém estava meio esquisito. Vou entregar: o Aurélio estava meio nervoso com o grande dia no Fisl que estava chegando. Ele não vai admitir isso nunca, mas ele tava com aquele friozinho normal na barriga (normal tá Aurélio!? Admitir isso não causa impotência nem diminui os níveis de testosterona). Mas foi incrível como instantaneamente o nervosismo passou quando a criança de 30 anos viu na sala da irmã o joguinho Rock Band (posso chamar essa revolução dos sabe-nada-de-instrumento-musical de joguinho?!). Foram horas de bateria e guitarra de brinquedo com a família, com os olhos vidrados na TV. Incrivelmente o Aurélio conhece 98% das músicas de rock e derivados, e era engraçado quando ele queria tocar a bateria sem olhar pros comandos da TV e se perdia. Até Aurélio no vocal rolou! Foi massa.

A barulheira (ops, sonzeira!) foi o que relaxou o Aurélio. Daí acordamos tranqüilos na sexta, demos uma voltinha rápida por Porto Alegre, e quando pensamos em nos enrolar mais um pouco no turismo, o editor da Novatec liga dizendo que o stand da Livraria Tempo Real estava bombando, e os fãs e leitores queriam o Aurélio logo por lá, para conversar e pedir autógrafos em seus livros.

Enquanto eu fui botar uma roupa mais ajeitada, o Aurélio estava pronto e me esperava no sofá com o seu modelito do dia-a-dia: camiseta, bermuda, e chinelo. LINDO! Não posso esconder que essa simplicidade me cativa e me causa muita admiração. E uma simples roupa reflete muito de como é esse cara. Quem viu e conhece sabe do que eu estou falando.

Bom, mas o trabalho nos chamou, e corremos para o Fisl, onde tive muita alegria e orgulho em presenciar a tamanha admiração, carinho e reconhecimento dos leitores e amigos pelo trabalho do Aurélio.

familia

No stand da livraria havia dois banners, um deles bem grande com a propaganda do livro de Shell Script. Era massa a frase “Novo livro DO Aurélio”. Mal chegamos e várias pessoas já apareceram com livros pro Aurélio autografar, tanto o de Shell quanto o de Expressões Regulares. Foi inacreditável o que aconteceu, mas em 5 minutos já havia uma fila grande em frente ao Aurélio, que estava até atrapalhando o corredor dos stands do Fisl! O Aurélio desprezou a cadeirinha e a mesinha de “autor-de-sucesso-autografando-livros” e estava em pé mesmo, autografando os livros, puxando papo com os leitores, e abraçando os amigos, com aquele jeitão “Aurélio gente boa de ser”.

Num rompante de empresária de meia tigela, ajeitei um pouco as coisas, e pedi pro Aurélio sentar na mesinha, pois a confusão da fila estava ficando grande, e assim também ele ficaria mais confortável, pois eu vi que os 100 livros que a livraria trouxe para o evento não dariam nem para o cheiro, e que o Aurélio ainda autografaria muitos livros. (Bom, eu não quero usar a batida frase “eu disse”, mas láaaa em Matinhos quando eu soube que a livraria traria só 100 livros de Shell para o evento, eu sabia que era pouco. É inevitável, eu não me agüento: eu disse!).

fila

Quando eu percebi, contei mais de 10 pessoas impacientes na fila de autógrafo, mais uma confusão dentro do stand com muitas pessoas comprando o livro de Shell e também o de ER. Naquele burburinho todo olho preocupada para o Aurélio, e vejo a pessoa mais tranqüila e sorridente do mundo sem vontade nenhuma de apressar as coisas ou fazer uma sessão de autógrafos em escala industrial. Cada pessoa que chegava com o livro na mão, o Aurélio levantava, dava um caloroso aperto de mão, e perguntava o nome ou simplesmente pegava o crachá e lia o nome da pessoa, perguntava de onde era, com o que trabalhava, até como eram os scripts da pessoa! E perguntava por detalhes incríveis e inacreditáveis da vida de cada um, passando desde o clima e a temperatura da região do leitor, até surf, jacaré e viagens! A pessoa não saía da fila sem uma conversa de alguns minutos, um autógrafo de algumas linhas, e um bonequinho tosco desenhado pelo artista Aurélio dizendo que era sua própria foto, no estilo do bonequinho tocando bateria, e um muito obrigado sincero por ter adquirido qualquer um dos livros. Além disso, não foi uma, nem cinco, nem dez fotos que eu tirei com a câmera das pessoas. Várias pessoas queriam uma foto com o ótimo profissional reconhecido no mundo nerd, mas também queriam uma foto com um dos caras mais simpáticos, humildes e educados que conheceram neste mundo de intelectuais e profissionais que adoram dizer “eu sou o cara e sou superior a você”. A mesma pessoa que eu me apaixonei um ano atrás, que me trata com o mesmo respeito que trata o garçom, o porteiro, os amigos, o gari, a família ou um desconhecido.

recomendo!

O entusiasmo com que o Aurélio recebia as pessoas e autografava os livros era comentado pelos corredores do Fisl, e comigo. Amigos da Conectiva, leitores do blog, visitantes do site, outros autores de livros e completos anônimos fizeram parte de uma bela troca de conhecimento e alegria em cada abraço e aperto de mão neste evento. Em algumas horas de participação no stand da livraria, em 2 dias, TODOS os livros do Aurélio trazidos pela livraria foram vendidos. Não sobrou nem umzinho pra contar história. O último livro era um que estava com a contra-capa rasgada num cantinho, mas nem esse escapou! E eu nem preciso dizer que se tivessem mais livros, mais teria sido vendido!

Livro novo, conteúdo, livro do piazinho, reconhecimento antigo, carisma, simplicidade. Isso tudo fez com que as pessoas esperassem até meia hora na fila para falar com o Aurélio. Isso fez com que no primeiro dia todos os livros de ER fossem vendidos em poucas horas. Isso fez com que quase 500 marca-páginas do livro de Shell fossem distribuídos e recebidos com entusiasmo pelos leitores quando viam os códigos “colinha” presentes no marca-páginas que o próprio Aurélio fez. Isso fez com que o Aurélio ficasse cinco horas direto autografando, sem ir ao banheiro, porque a fila não parava nunca. Isso fez com que eu tivesse que dar água na boca e alimentá-lo com bala de goma, porque ele se esquecia disso, pois o leitor era o mais importante. Isso fez com que eu tivesse que conversar com o editor, pedindo que mandassem de São Paulo por Sedex mais livros de Shell e de ER. Isso fez com que o Aurélio saísse do Fisl às 22h e dormisse de cansado no meu colo na ida pra casa. Isso fez com que não fossemos no churrasco com os amigos do Aurélio na mesma noite, porque ele estava um morto-vivo. Isso fez com que o Aurélio mudasse os planos de passear com a família no dia seguinte e voltasse ao Fisl para atender mais pessoas que queriam comprar seus livros. Isso fez com que eu ficasse horas sentada no chão, ao lado do Aurélio, auxiliando no que precisasse.

Sacrifício? Arrependimento de ter ido? Triste por estar cansado? Trabalho chato? Muito pelo contrário. Completamente o contrário.

aurelio

Tudo isso fez com que uma família ficasse orgulhosa do seu filho. Isso fez com que uma mulher admirasse ainda mais seu homem. Isso fez com que o Aurélio ficasse com um sorrisão no rosto. Isso fez com que um autor ficasse com a sensação de “vale muito a pena” ter ficado 2 anos escrevendo um livro, todas as horas recluso no computador enquanto o sol e a praia estavam lá fora, pois o reconhecimento veio já no dia seguinte quando alguns nerds ansiosos vieram elogiar o conteúdo e a linguagem do livro lido na noite anterior na caminha do hotel. O Aurélio diz que suas expectativas foram superadas. As minhas não. Não foram superadas, foram expectativas cumpridas, pois eu tinha certeza que seria este grande sucesso, pois eu acompanho todo o empenho e perfeccionismo do Aurélio em cada trabalho. Tenho total noção do potencial do Aurélio e da sua extraordinária capacidade técnica, traduzida pelo editor da Novatec num papo comigo como “um talento como poucos que eu já vi nesse meio”. Mas acima disso tudo, ainda acredito – e acontecimentos como esse só me trazem mais certeza – que neste mundo meio perdido, ainda vale a pena ser gente boa.

queridos

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