De Curitiba até Matinhos de Bicicleta (120 Km pedalando)

Este é o relato da viagem de bicicleta que fiz com a parentada para a praia, totalizando 10 horas de pedalada, percorrendo 120 Km em direção ao mar.

Resumo:

A Equipe

O detalhe importante sobre a equipe é que ninguém é atleta. Somos todos sedentários comuns que não fazem academia nem praticam esportes regularmente.

Eu nos meus 27 sou o caçula da turma. Os outros já contam com pelos menos 10 anos a mais de experiência de vida :)

Os Preparativos

Tudo começou com um "estou com vontade de descer para a praia de bicicleta", que se seguiu de "eu também!", "eu também!".

Contexto: Curitiba é uma cidade fria, chuvosa e cinza, e as praias (Matinhos, Caiobá, Guaratuba e balneários) ficam a cerca de 100 Km de distância, sendo o caminho mais usado a descida da Serra do Mar via BR-277, estrada hoje pedagiada e com asfalto e acostamento bons. Desde criança descendo a mesma estrada, com a mesma paisagem, anos a fio, nos faz sentir um certo apego a ela. O "descer para a praia de bicicleta" já é uma tradição curitibana, uma das aventuras mais baratas e simples de se realizar nas redondezas. Simples, não fácil. Muitos já fizeram, outros tantos sonham em fazer. O fato é que é um acontecimento marcante, curitibanisticamente falando.

Para todos nós sempre foi um sonho a descida para a praia de bicicleta. Mas mudar do "gostaria de ir" para o "eu vou" é um grande passo.

Estranhamente dessa vez parece que todos estavam realmente afim de realizar a proeza e com algumas conversas telefônicas e uma reunião, definimos que o feriado de 15 de Novembro seria uma boa data. O feriado era na segunda-feira, então marcamos a viagem para o domingo, pois provavelmente o movimento de carros seria menor.

Cada um ficou de arranjar/arrumar a sua bike, comprar um capacete e se preparar para o dia.

Uma semana antes fizemos uma prévia, saindo do Parque Barigüi e indo até a entrada de Campo Largo (cidade metropolitana), um percurso que soma 40 Km (ida e volta). Foi uma boa puxada, que serviu para cada um ver como anda seu físico e pegar intimidade com a bicicleta: definir a altura ótima para o banco, troca de marchas, dificuldades, etc.

Minha Bike

Por falar em marchas, a minha bicicleta tem uma peculiaridade: ela não tem marchas. Também não tem amortecedor, banco de gel e outras frescuras que essas bicicletas novas trazem. Pode-se dizer que é uma autêntica bike "das antigas".

Como diz minha amiga Fabíola: uma mistura brega de bicicleta de pedreiro e CeciComo diz minha amiga Fabíola: uma mistura brega de bicicleta de pedreiro e Ceci

Eu não gosto de marchas, minha bike é uma tipo Barra Forte, com garupa, banco confortável de molas e freio de tambor (no pé). Ela tem um guidão especial, tipo de moto que é alto e largo, podendo ficar com a coluna reta enquanto pedala. Ela foi comprada em Balneário Camboriú. "Coisa de catarina", como dizemos por aqui :)

A Viagem

Domingo de manhã. Frio, ameaça de chuva. Parte do grupo sai do Barigüi e outra parte do Pinheirinho, sendo o ponto de encontro o início da BR-277, no posto de gasolina ao lado do Mercadorama, perto do Centro Politécnico da UFPR.

Saímos daqui de casa eu e o Gabriel às 08:00. Levamos 45 minutos para cruzar a cidade (Oeste → Leste) do Parque Barigüi até o ponto de encontro, sendo os primeiros 12 Km da viagem.

Aurelio e Gabriel no início da estradaAurelio e Gabriel no início da estrada

Poucos minutos depois chegou o resto do comboio e tiramos a foto oficial da "largada".

Largada: Roberval, Nata, Edenilson, Gabriel, AurelioLargada: Roberval, Nata, Edenilson, Gabriel, Aurelio

Saímos na empolgação, mas em velocidade normal de cruzeiro. A idéia é fazer um grande passeio, não se arrebentar para chegar logo.

O primeiro ponto marcante foi o Guatupê, que chegamos rapidinho. O tempo começava a ficar ainda mais frio e feio, mas continuamos. Passamos o viaduto da linha do trem, depois uma parada rápida num posto de gasolina, depois o posto policial e finalmente o pedágio. Foram várias subidas e descidas: pedala, descansa, pedala, descansa.

Já na subida do pedágio, a chuva que estava ameaçando despencar, caiu sobre nossas cabeças. Hora de tomar uma decisão. Uma rápida enquete e todos concordaram em continuar mesmo assim.

Mais uma subida beeeeem grande e finalmente começou a tão esperada descida da serra. O frio que já era grande ficou ainda maior e a chuva estava forte. Das paisagens da serra, vimos apenas nuvens brancas e neblina. O bom é que o movimento de carros e caminhões estava baixo, então simplesmente soltamos do freio e descemos direto, para acabar logo.

Alguns trechos da descida da serra são perigosos por terem asfalto ruim no acostamento. A pior parte é na curva com a parede de pedra, onde o acostamento tem a largura de poucos centímetros, com uma canaleta funda ao lado que renderia uns bons hematomas caso "encontrada".

Por azar, exatamente na passagem deste trecho um caminhão passou ao lado, forçando a passagem rápida e tensa na estreita faixa de asfalto que sobra. Este foi o momento mais perigoso da viagem, mas nada de ruim aconteceu. Outros momentos de perigo são as entradas e saídas da rodovia, onde os ciclistas devem sempre cuidar, pois os carros vêm embalados.

Já no pé da serra, paramos na lanchonete Bela Vista para o almoço. Essas lanchonetes da serra são legais, com vários produtos típicos da região, como banana (e tudo o que se pode fazer com ela), doces artesanais e roscas gigantes de polvilho.

A parada foi um alívio pois as mãos no guidão já estavam roxas de frio, e o pé ensopado. Há uma bica na entrada da lanchonete e ali nos lavamos e limpamos o barro acumulado até então. Já dentro do local, comemos sanduíches e chocomilks aquecidos.

Metade do caminho: ensopados e sujos, a chuva deu uma tréguaMetade do caminho: ensopados e sujos, a chuva deu uma trégua

Saímos da lanchonete e a chuva felizmente havia parado. De ânimos renovados, continuamos a viagem. Como a serra terminou, começou o show de retas. O sol até apareceu durante alguns minutos, mas depois tudo foi ficando cinza novamente.

Quer bananas?Quer bananas?

Mais uma parada em outra banca da estrada. Lá compramos uma penca de banana ouro e comemos um monte. Ao voltar às bikes, uma surpresa: meu pneu traseiro estava completamente murcho :( Na dúvida se ele tinha furado ou não, o enchemos e continuamos a pedalar. Em pouco tempo ele havia murchado novamente e foi preciso mais três enchidas até chegarmos no SAU (posto de atendimento do pedágio), que tinha uma borracharia na frente.

Ufa, estamos quase chegando na Alexandra-MatinhosUfa, estamos quase chegando na Alexandra-Matinhos

Foram 40 longos minutos para o furo ser consertado e dali para frente começava o trecho mais temido: a estrada Alexandra-Matinhos, com suas retas intermináveis e a pista sem acostamento. Para piorar, a chuva voltou. Ah, e o banco da bicicleta que era tão confortável no início, já estava insuportável, doía tudo.

A Alexandra-Matinhos até que foi tranqüila no fim das contas. No início do trecho o Gabriel deu uma puxada forte no comboio para compensar o tempo parado no conserto do pneu. Mas cansamos rápido e depois mantivemos velocidade de cruzeiro.

Mais uma parada em outra banca para descansar e tomar uma água de côco. Voltamos a pedalar e quando faltavam uns 20 Km para o final, recebemos a "visita" das mães/esposas/irmãs/tias que já estavam na praia nos esperando, mas não agüentaram de ansiedade e vieram de carro conferir onde estávamos.

Conversa rápida, elas foram embora e continuamos a pedalada do trecho final. Aí já não tinha mais segredo: a placa clássica de chegada em Matinhos, a rodoviária, o centro e finalmente a avenida beira-mar e a visão do oceano.

Chegamos! Nunca demorou tanto para ver o mar, mas valeu!Chegamos! Nunca demorou tanto para ver o mar, mas valeu!

Quando chegamos na praia eram 18:00, 10 horas após o início da jornada em Curitiba. A bicicleta do Gabriel tinha velocímetro e odômetro, ficando o total percorrido em exatos 120 Km, da porta de casa à beira-mar.

Como resultado, cinco homens cansados e doídos, mas com o sorriso no rosto por terem conseguido. Essa viagem é realmente uma aventura, é longa e cansativa e ainda tivemos o agravante do frio e da chuva. Mas VALEU. Foi um dia memorável para depois contar para os netos e eles não acreditarem.

A Volta

Confortável, de carro :)

Curiosidades

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