Lagoinha do Leste - Floripa - SC

Conheci a praia da Lagoinha em Janeiro de 2007. Para chegar lá são duas horas de trilha pelo mato, subindo e descendo a encosta do morro. Vale a pena, realmente a beleza do lugar impressiona. Já no caminho são várias paisagens de encher os olhos, culminando em uma praia ainda selvagem e paradisíaca. Ah sim, com uma lagoinha no meio, é claro :)

"Os turistas a consideram a mais bonita da Ilha. Os moradores do Sul da Ilha garantem que ela é a mais misteriosa de Florianópolis. Os ecologistas a defendem como se fosse a última praia do mundo. Seja qual for a opinião sobre a Lagoinha do Leste, ela é única. A praia ainda preserva as características de quando os primeiros imigrantes aportaram nestas terras. A Lagoinha, como é carinhosamente chamada pelos ilhéus, impressiona seus visitantes com sua beleza, seu ar selvagem e seus mistérios." — Fonte: Guia Floripa

Situando-se

Fonte: http://www.aoredordailha.com.br/trekking-florianopolis/lagoinha-do-leste.aspFonte: http://www.aoredordailha.com.br/trekking-florianopolis/lagoinha-do-leste.asp

Primeiro você precisa chegar à ilha de Florianópolis, aquela no sul do país, em Santa Catarina, sabe qual?

Então. Lá estando, vá para o sul. Passe o Campeche e siga direto até a praia da Armação (1). A aventura começa aqui e vai acabar do outro lado do morro, no Pântano do Sul (3). No meio do caminho está a Lagoinha (2).

São 4,3 km na trilha de ida e 2,3 km na de volta. Não é moleza, mas também não requer físico de atleta. Reserve pelo menos 4 horas para o passeio todo. O ideal é o dia todo.

Resumão: Ande até o final da praia do Matadeiro e siga pela trilha. Duas horas depois você pisará na praia da Lagoinha. Aproveite, coma, beba, nade, surfe, durma. Ande até o final da praia e entre à direita na trilha de volta. Uma hora depois você reencontrará a civilização no Pântano do Sul. Aproveite o ponto de ônibus e volte para a praia da Armação, caso tenha vindo de carro.

O Início

Era um domingo de céu limpo e sol forte, daqueles que te convidam a sair de casa e curtir a natureza. Tinha o refresco do vento sul para abrandar o calor. Perfeito.

Marcamos às 09:00 no centrinho da praia da Armação, em frente à igreja. Com o verão bombando em Floripa, já havia bastante movimento neste horário. O carro ficou lááá do lado de lá da outra rua.

Nossa equipe era composta por dois homens e duas mulheres, sendo três nerds profissionais e uma futura nerd. O que, você tem medo dessa trilha? Vai perder para um bando de nerds? ;)

Um café rápido na padaria e estávamos prontos para rumar em direção ao desconhecido. Todos éramos marinheiros de primeira viagem nessa trilha, então a ansiedade era grande.

Saindo do centrinho da Armação, fomos até a praia do Matadeiro e caminhamos pela areia até o seu final. Lá vimos uma plaquinha discreta escrito "Lagoinha - 2 horas". Achamos o começo da trilha!

Momento comédia:

Havia alguns senhores e senhoras de idade na boca da trilha, conversando. Não aceitaram nosso convite para seguir conosco até a Lagoinha, mas um deles profetizou: "Essa menina pequena aí, ela NÃO VAI AGÜENTAR chegar até o final". Mas hein?!?

Todos sabemos o efeito motivador que uma declaração dessas exerce sobre uma pessoa. Nada como um "du-vi-do" para fazer-nos superar nossos limites. E assim foi :)

A Ida

A trilha já começou divertida, com mata fechada e pedras para subir. Nada comparado a uma escalada, mas já esquentou os músculos das pernas. Sobe, sobe, sobe. Em alguns momentos a mata abria e era possível contemplar a paisagem. E que paisagem!

Uau! (Campeche ao fundo)Uau! (Campeche ao fundo)

Lá pelos 40 minutos de caminhada chegamos no córrego que cruza a trilha, proporcionando sombra e água fresca, literalmente. Bem, era na verdade um filete d’água quase imperceptível que fazia algumas poças entre as pedras. Não sabíamos se aquela água era "bebível" ou não, mas como nossa garrafinha era pequena (300 ml) e ainda tínhamos mais de uma hora de trilha pela frente, melhor morrer intoxicado do que desidratado ;)

Camuflados: Kimie, Aurelio, Rafa, AndréCamuflados: Kimie, Aurelio, Rafa, André

De garrafa e bexiga cheias, continuamos. A trilha mudou completamente, ficando aberta com vegetação rasteira e pedras. Ah, muitos espinhos! O sol castigava, mas o visual compensava e o vento forte arrefecia.

Quem jogou estas pedras ali?Quem jogou estas pedras ali?

Alguns trechos ladeavam a encosta do morro bem na pontinha, fazendo pensar: "e se eu escorregar aqui?". Desaconselhado para cardíacos e frescos.

Na última curva, quando finalmente avistamos a praia da Lagoinha lá embaixo, o vento batia de frente, forte como nunca. Era quase possível sustentar-se nele, no melhor estilo Michael Jackson Moonwalker :)

A primeira visão da praia é uma imagem que fica na sua mente por muito tempo. Seria verdade um lugar como aquele? Seria uma miragem? Em uma visão panorâmica você vê a praia toda: mata fechada, areia limpa e água transparente. E claro, a lagoinha!

E finalmente: a Praia da LagoinhaE finalmente: a Praia da Lagoinha

Chegamos!

Instintivamente, o primeiro e único desejo ao pisar na areia da praia é se jogar na água o mais rápido possível, como se você estivesse sendo perseguido por um exame de abelhas africanas assassinas. E foi o que fizemos.

No segundo seguinte, foi fácil perceber que mesmo com aquele sol escaldante, Floripa consegue manter sua fama internacional de água com temperaturas glaciais em pleno verão. Mas sinceramente, estava uma delícia! Foi a ducha gelada dos vencedores, a cachoeira dos desbravadores, a sauna russa.

Na areia foi construída uma tenda que faz uma baita sombra, ótima para deixar a mochila, comer, deitar e descansar. À alma bondosa que a construiu: Deus lhe pague (que eu não vou). Pelo que entendi, é a tenda de espera para os passageiros dos barcos que levam e trazem pessoas que não querem/podem seguir as trilhas. Mas naquele domingo não tinha barco algum. Ali fizemos um lanche e recuperamos as energias.

Tenda Sagrada do Marinheiro SamaritanoTenda Sagrada do Marinheiro Samaritano

Renovados, fomos explorar o local. No meio da praia fica a lagoinha, uma piscina natural com cerca de um metro de profundidade máxima, água quente e levemente esverdeada, com micro coisinhas flutuantes.

Recapitulando: MAR transparente e gelado, LAGOA verde e quente.

No final da praia há mais um córrego com água potável. Tem até um cano que facilita o acesso ao líquido precioso.

A Volta

Já era perto das cinco da tarde quando resolvemos levantar acampamento. A trilha de volta começa no final da praia, perto do córrego de água. É mais curta e chata que a trilha de ida, mas depois de um dia todo de aventura e contemplação, já estávamos saciados.

Despedida do canto direito da praia...Despedida do canto direito da praia...

A trilha é assim: sobe, sobe, sobe, mirante, desce, desce, desce.

No meio do caminho há um mirante bacana com vista da lagoinha e do Pântano do Sul. Foi revigorante ter parado ali por alguns minutos, pois as pernas já não estavam mais tão dispostas quanto de manhã.

Vista do mirante: Pântano do Sul e AçoresVista do mirante: Pântano do Sul e Açores

No final da trilha tive uma sensação pra lá de esquisita. Depois de um dia todo de mato e praia, de repente você sai em uma rua normal, com casas dos dois lados e carros passando. Caiu a ficha. "O sonho acabou" e você voltou para a civilização.

Fomos até o mercadinho do Pântano, comemos umas porcarias e seguimos para o ponto do ônibus, esperar a condução de volta até o carro, que ficou lá na Armação.

Dinheiro, barulho, fumaça, chacoalhação. É, realmente o sonho acabou.

Mas no rosto há um sorriso de satisfação ao lembrar de tantos momentos felizes que "um dia no mato" proporcionou. Recomendo!

Ei, quase me esqueci da foto poser! :DEi, quase me esqueci da foto poser! :D

Dicas

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