Caxambu - MG

Em Outubro de 2007, fui para Belo Horizonte dar uma semana de curso de shell script avançado em uma empresa. Por uma coincidência dessas que não dá para chamar apenas de coincidência, na mesmíssima semana minha namorada Mog viajou para Caxambu para ir a um evento de Ciências Sociais (ANPOCS).

Ambos moramos no Paraná (Matinhos e Curitiba) e eu nunca tinha pisado em Minas. É, não podíamos desperdiçar essa oportunidade. Depois do curso fui até Caxambu para encontrá-la e assim passearmos pela região. Além desse relato que você vai ler agora, também visitamos Ouro Preto e Mariana.

Ida

A Mog foi para Caxambu direto de Curitiba, com o ônibus da universidade (UFPR). Foram 14 longas horas... Ah Mog, conta da tua viagem!

Pois é... Nessa parte vale ressaltar só uma coisa: o Aurelio sempre fala mal da Federal. Fala que é "uma folga", que os professores faltam, entre outras calúnias.Mas... De uma coisa ninguém pode duvidar: quem estuda na Federal consegue viajar di grátis para qualquer canto. Sempre rola um ônibus na faixa pra algum congresso e coisa do tipo. Pra Caxambu foi assim. Congresso massa, ônibus di grátis: perfeito!

Até gostaria de contar algumas coisas sobre a viagem de ônibus, sobre as cidades por onde passamos, e sobre a paisagem; pois foi muito tempo de bunda quadrada até Minas. Mas a única coisa que eu lembro é do filme "Tropa de Elite" passando na TV do ônibus, e os meninos do ônibus encarnando o Capitão Nascimento. Uma cena lamentável. Nessas horas eu lembro que às vezes é bom enjoar no ônibus, e agradeço estar dopada com os meus três Dramins.

Ahhh, lembrei: o ônibus fez umas paradas naquelas lanchonetes de estrada ultra-mega-chiques, tanto em SP quanto em MG. Conselho: leve lanchinho de casa. Fiz isso e não me arrependo. Além de ser MUITO mais barato, é bem melhor comer uma fruta e coisas leves durante tanto tempo dentro de um ônibus do que se empanturrar de besteira.

Eu peguei o ônibus para Caxambu lá na rodoviária de Belo Horizonte (Empresa Gardênia, saída às 7h30 da manhã, R$ 53,60). O ônibus é bem confortável, até que passaram rápido as seis horas de viagem para percorrer os quase 400 Km que separam as duas cidades.

Passou rápido pra ti... Porque não foi tu quem ficou desde cedo esperando ansiosamente um certo nerd em Caxambu, doida pra te ver...

Ah, o ônibus parou no meio do caminho para um lanche rápido (20 minutos) na loja Graal, que tem muita comida e presentes. Mas o preço é bem salgado.

Curiosidade: O uso da palavra salgado como "caro", aliás, segundo o guia da mina Santa Rita (em Ouro Preto), vem da época em que o ouro era abundante, mas o sal era artigo de luxo. Um quilo de ouro não comprava um quilo de sal... Ei, alguém tem uma máquina do tempo para emprestar? :)

Mas a melhor parte da viagem foi chegar na rodoviária de Caxambu e ver a Mog me esperando com uma flor na mão. Como diria aquela propaganda: Não tem preço.

Lindo né?! Sabia a hora certinha que o ônibus chegaria. Perguntei na cidadezinha se a rodoviária era longe. Uns me falavam que era "Logo ali", outros "É longe sô". Na dúvida e na ansiedade, cheguei uma hora mais cedo.Ah, e a flor genérica (homens...) era um hibisco!

A cidade

Fomos à pé até o hotel (Brasil Hotel, simples, R$ 65,00 o casal), ele ficava a poucas quadras da rodoviária. Andar pela cidade é muito bom, é tranqüila. Não precisa ônibus nem carro, tudo é perto. E para melhorar, os hotéis e os pontos turísticos estão reunidos ao redor do Parque das Águas.

Dica: A estação do teleférico fica pertinho da rodoviária. Então se não souber aonde ir para pegar seu ônibus, basta seguir as cadeirinhas :)

Detalhe: eu estava em Caxambu fazia 5 dias. Desde que cheguei, SÓ choveu. O Aurelio trouxe o sol de Belo Horizonte. Pela primeira vez andei na rua sem me molhar!

Tem a praça. É bem cuidada, com bastante árvores e bancos para sentar e papear. Nela tem também um coreto. Tudo estava bem conservado, pintado e limpo. Fomos lá à noite para digerir a janta e apreciar a lua cheia que roubava a cena no céu. Moradores ocupavam outros bancos e o coreto, fazendo o mesmo. É tranqüilo caminhar de noite pela cidade.

Tem o calçadão. São duas quadras em que os carros não passam, povoadas por bares e restaurantes diversos. Em uma noite fomos lá comer pizza, e outra jantamos em um buffet à vontade ("self-service sem balança" como diriam os mineiros) de comida caseira. Em outra noite, na lanchonete da esquina comemos batata assada, macarrão e panqueca. Comida boa e sem preços abusivos.

Tem as charretes. São carroças de madeira enfeitadas e puxadas por cavalos. São bem comuns em cidades pequenas aqui do sul. É o táxi rural dos turistas. Tem desde as menores para duas pessoas até os "microônibus" que levam a família toda. Eu queria ter passeado em uma delas, mas era tudo tão perto que íamos à pé mesmo.

Parque das Águas

"O Parque das Águas de Caxambu, tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (IEPHA), tem 210.000m2 de área e conta com 12 fontes de águas minerais, de alto poder diurético e desintoxicante, com propriedades químicas diferentes umas das outras, fluindo ininterruptamente." — Fonte: Site de Caxambu

Entendeu? Na prática isso quer dizer que você pode tomar 12 tipos diferentes de água, gaseificadas naturalmente (tem bolinhas!) e com gosto que varia de pedra suja a prego enferrujado :)

Isso é verdade... A maioria tem gosto de ferro, parece chupar prego. Eu nunca chupei um prego, mas deve ser assim...

Brincadeiras à parte, o parque é imperdível. A entrada custa somente R$ 3,00 (se for usar a piscina aumenta para R$ 12,00) e você pode levar para casa até 10 litros de água. Tem que trazer as garrafas Pet de casa, ou comprar da tiazinha que vende ali na entrada do parque por um real, e vem com uma alça bacana.

Nós compramos!!! Turista é f... Além de ser um passeio muito gostoso, e pelo tanto de coisas que se vê no Parque, a entrada por 3 pila vale muito a pena...

Dica: Só que lá dentro do parque em todas as fontes está a mensagem que as propriedades ninja de cada água só valem ali, com a água fresca. Se engarrafar e levar para casa o poder mágico some.

Mesmo assim, os turistas do Paraná levaram água pra casa...

Cada fonte tem seu próprio ornamento, com um folheto explicativo dizendo quais doenças e problemas aquela água ajuda a curar. Um senhor que estava enchendo sua garrafa nos disse que nunca tomou remédio na vida, e que sempre bebeu daquelas águas, desde criança. Até o porre ele disse curar com a água :)

Mas não tem jeito, o gosto é ruim mesmo. Mesmo nunca tendo chupado um prego enferrujado, essa é a sensação exata que algumas das águas ferrosas te dão, pelo seu sabor forte. Experimentamos todas as águas, mas depois da quinta já deu vontade de parar. E as bolinhas existem.

Imitou a minha frase. Mas é verdade. É MUITO forte o gosto de ferro.

Fora as fontes o parque tem muitas árvores, jardins e um lago, que nos renderam um passeio tranqüilo. Tinha também um prédio de massagens e outros tratamentos relaxantes, mas estava fechado, em reforma.

O prédio de massagens oferecia diversos tratamentos, desde osteoporose, até acne, por exemplo. Pena que estava fechado. Mas o mais interessante era a fachada, onde se lia: hydroterapia. É, com y mesmo. Pra ver como é novinho o negócio.

Mas naquela tarde ensolarada o que mais gostamos foi da piscina de água mineral (a maior do mundo, disseram), que usa a água de uma das fontes. Tá, na prática é uma piscina normal. Mas é ou não é chique mergulhar em água mineral? :)

Dica: Eu abri os olhos debaixo da água e doeu.

Ignorem a dica. Doeu porque o Aurelio fez cirurgia nos "zóio" um pouco antes... O meu não doeu. Frescura dele. Dói só em olhos operados.

Tem também um tobogã, que usa água mineral, claro!

O Aurelio é ninja no tobogã. Eu entalei vergonhosamente.

Morro e teleférico

Nós gostamos muito de subir morros. Pelo exercício, pela integração com a natureza, pela vista privilegiada do cume. Subir o morro de Caxambu à pé era parte do nosso roteiro de viagem. O teleférico é legal, mas preferimos caminhar.

Além de eu adorar caminhar, tinha mais: eu estava com medo do teleférico. Ele parecia ser muito tosco.

Nos informamos* e subimos. Foi muito mais fácil do que esperávamos. Para chegar no início da "trilha", seguimos a rua do calçadão até o fim, passando por uma escola (prédio antigo e bonito!). A rua vira à direita passando pelo hospital, depois viramos à esquerda e já vimos a estrada de chão (desativada) que sobe até o topo.

* Informação é algo que era sempre fácil. Gente simpática na cidade é outra coisa! Até parece Curitiba...

Foram 30 minutos de caminhada lenta, parando para olhar a paisagem e tirar fotos. Pela falta de chuva dos últimos meses, a vegetação estava toda queimada. Uma paisagem triste de ver, ainda mais assim, de perto.

Dica para os motorizados: é possível subir de carro também, basta pegar a estrada que contorna o morro, por trás.

Confesso que olhando de baixo parece que a subida demora muito. Mas é rapidinho pra subir. Quando vimos, já estávamos lá. E não cansa.

Do topo tivemos uma vista ampla da cidade e das montanhas que a cercam. Estávamos lá apreciando, descansando e comendo frutas, quando vimos uma chuva chegando. Muito interessante isso de ver a chuva por cima. Vimos a coluna de água caindo sobre os morros, e ela estava vindo em nossa direção.

Entramos na lanchonete que tem lá em cima, anexa à estação do teleférico. Beirando à extinção, eles tinham apenas salgadinhos (Cheetos) e bebidas enlatadas. O sanduíche gostoso que esperávamos comer lá, ficou para uma próxima vez :)

Tudo em Caxambu anda meio decadente. A cidade é bonita, tem o que oferecer, mas coisas tipo a lanchonete do teleférico são tristes de se ver.

A chuva chegou. Ventou bastante também. Ficamos um bom tempo conversando, olhando a paisagem e esperando passar.

Então os dois caras da lanchonete disseram que iam fechar (às 16h?!?) e perguntaram se queríamos uma carona de teleférico até lá embaixo. Momento de reflexão. No dia anterior tínhamos ouvido falar sobre um "acidente" no teleférico, e descer naquelas cadeirinhas com chuva não inspira muita confiança. Ei, mas era de graça! Vamos! :)

Confiança era o que não faltava no Aurelio. A única que não estava botando fé naquelas cadeirinhas era eu. Medo.

Em mais uma das várias "coincidências" que aconteceram nesta viagem, a chuva parou exatamente no momento em que fomos montar nas cadeirinhas. O tempo abriu rapidamente e pudemos apreciar todo o parque e a cidade nos oito minutos que dura o trajeto do teleférico. A apreensão transformou-se em diversão. Ah, e economizamos vinte reais!

Apesar do medo inicial, a descida é muito tranqüila. A paisagem é bonita e passamos por cima do Parque, no meio das árvores, sobre o lago, os patinhos. Valeu muito a pena. Meu... E de graça!

Não deu

Queríamos ter ido até São Tomé das Letras, cidade hipponga esotérica que ficava a menos de 100 quilômetros, que a Mog sempre quis conhecer. Mas chovia todo fim de tarde na região, interrompendo a estrada na parte não asfaltada. Uma rota alternativa que podíamos ter pego era ir primeiro a Três Corações, que de lá a São Tomé era só asfalto. Mas a idéia de brincar de sapo, ficando alguns dias em uma cidade barrenta debaixo de chuva, não foi muito animadora :)

Momento Cultural: Quem nasce em Três Corações é tricordiano.

Viu como só chovia antes do Aurelio chegar, a ponto de interditar a estrada? Nessa eu fiquei triste. Iria ser muito massa ver as cachoeiras e os cristais de São Tomé. Além do músico Ventania, é claro: lenda viva e ídolo dos hippies e neo-hippies de luau na praia. Mas quem sabe na próxima, e sem chuva.

Com isso resolvemos adiantar nossa ida para Ouro Preto. Outras cidades próximas que iríamos visitar, pois foram indicadas por mineiros amigos nossos eram: São Lourenço, Lambari e Cambuquira.

Volta

Estávamos em Caxambu e queríamos chegar em Ouro Preto. Olhando no mapa, seria mais fácil ir até Juiz de Fora primeiro, para lá pegar outro ônibus até nosso destino. Mas ao ligar para as empresas de ônibus vimos que a melhor maneira era ir a Belo Horizonte primeiro.

Assim fizemos. O ônibus da Gardênia saiu de Caxambu às 8h10 da manhã (R$ 52,60) e o trajeto até Belo Horizonte durou quase 7 horas. A Mog enjoa na estrada, então dopou-se com Dramin e veio dormindo boa parte da viagem :)

Chato isso... Nunca vejo nada do caminho. O Aurelio falou que tinha umas paisagens bem bonitas até Belo Horizonte. Mas pelo menos ganhei cafuné.

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