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Santo Antonio de Los Cobres

Ainda "de cara" com as primeiras visões dos andes, chegamos a Santo Antonio de Los Cobres, cidade minúscula, encrustada entre montanhas de todos os lados, que vive basicamente das minas de extração próximas.

Uma rua típica de cidade andina, sem carros (fora o nosso), apenas bicicletas, pedestres e casas baixas, de somente um piso. Essa é uma cidadezinha muito aconchegante com cerca de 2000 habitantes, boa para dar uma parada e se aclimatar com a altitude elevada (3750m), pois dali 26km é o ponto mais alto da travessia dos andes, a 4650m!

O retrato da fisionomia do povo andino: semblante indígena e um sorriso no rosto. Elas são moradoras da cidade, onde mesmo no verão se dorme com um monte de cobertas e blusas de lã. Se não me engano, o nome da menina é Sônia (muito simpática) e elas estão vendendo blusas e meias de pêlo de alpaca.

O carnaval nesta cidade é algo que vale a pena conferir. É na mesma época que o nosso, porém dura mais, tendo uma pausa da quarta de cinzas até a sexta e continua no sábado e domingo seguintes.

Como aquecimento para as danças e para chamar o povo às ruas, uma fila indiana de pessoas fantasiadas (fantasias feitas de retalhos e peças normais de roupa, sem o glamour desnecessário das nossas) atravessa a cidade acompanhada de uma banda de fanfarra tocando musicas regionais andinas. Por presenciarmos de perto esta passagem, fomos "batizados" com a neve artificial que eles jogam uns nos outros, é uma espuma que desaparece rápido e não molha.

Logo em seguida acontecem os desfiles de carnaval, bem diferentes dos nossos, sem putaria.

São vários "clubes" que têm seu uniforme e bandeira e fazem apresentações de dança na rua. A música é salsa, rumba e carnavalito, e é gravada. Os homens trazem chocalhos nas botas para incrementar a dança, que tem passos ensaiados e mistura movimentos giratórios com saltos e batidas de palmas e pé no chão. As mulheres fazem outros passos, mais simples e sem pulos, e no final todos dançam juntos em pares. Muito legal de ver e ouvir.

À noite após os desfiles do dia, acontecem bailes nos clubes da cidade. Conhecemos um argentino de Salta chamado Daniel (na foto) que gentilmente nos explicou tudo sobre o carnaval deles e nos levou a todos os clubes da cidade para conhecer as festas. Valeu cara!

Depois dos bailes, uma banda boliviana acompanhada de pessoas fantasiadas e de quase toda a população atravessa a cidade parando na frente de casas onde são "convidados" a ficar, e ali tocam e dançam, enquanto o dono da casa proporciona bebida a todos os presentes, de graça.

Especialmente emocionante, foi quando chegamos perto, a banda já tinha parado de tocar e ia jantar, mas quando souberam que haviam "turistas do Brasil" chegando, rapidamente pegaram novamente seus instrumentos, esperaram a gente chegar ali na frente deles e quando fizemos sinal, eles começaram a tocar.

Foi muito forte a emoção de um acontecimento desses, de se sentir especial e da banda tocar 2 músicas a mais por você estar ali. A hospitalidade desse povo é algo impressionante.

Fora o carnaval, o chá de folha de coca e a subida a pé no morro próximo, a cidade tem outras atrações. Pegando a estrada em direção à jujuy (diz-se rurúi), à esquerda encontramos algumas fazendas grudadas em montanhas (único lugar arável próximo) com estradinhas que com 4x4 dá pra subir alto e ter uma visão boa da região.

Pode não parecer, mas o risco vertical na foto é uma estrada de chão que some da vista e leva a ... Não sabemos.

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