Fanatismo Digital - A Guerra dos Editores (Vi × Emacs)

Este documento foi o resultado de uma pesquisa Antropológica feita por mim em Junho de 2000 enquanto cursava "Ciências Sociais" na UFPR (Universidade Federal do Paraná). A nota foi obtida pelo trabalho foi 90 (noventa) e para mim foi uma experiência muito gratificante fazê-lo.

Dados iniciais

  • Ambiente: Conectiva, Curitiba - PR
  • Analisados: Corpo técnico especializado da empresa
  • Data: Junho de 2000
  • Meios de pesquisa: Entrevista, e-mail, formulário internet
Proposta
Pesquisar o porquê de haver paixão e fanatismo na preferência de um programa de computador para o sistema operacional Linux, bem como tentar traçar perfis comuns e descobrir a causa desta preferência.
Possíveis causas
Costume, o meio, identificação com a filosofia, disponibilidade, imposição, características técnicas únicas.

Embasamento

CONECTIVA: empresa brasileira de informática especializada no sistema operacional Linux. Além de fazer suas própria distribuição do Linux, desenvolvendo e vendendo um pacote com o sistema completo, com programas de todos os tipos, ainda presta serviços, suporte e treinamento no sistema, com filiais espalhadas pelo país e por alguns país da américa latina também.

WINDOWS: sistema operacional da empresa americana Microsoft, é o mais difundido que existe, estando instalado na grande maioria dos computadores pessoais de todo o mundo.

LINUX: (lê-se "línucs") sistema operacional completo, livre, de código aberto, alternativa ao windows, que possui toda a gama de programas necessários para uso profissional ou de lazer que rodam sobre ele, tanto no modo texto, quanto no modo gráfico.

MODO TEXTO: a interface com o usuário (o que aparece na tela) é apenas a linha de comando, letras cinzas num fundo preto e preferência do uso do teclado ao mouse.

MODO GRÁFICO: a interface com o usuário é toda gráfica, composta por janelas, ícones, figuras, cores e preferência do uso do mouse ao teclado.

VI: (lê-se "viái") editor de texto padrão de sistemas Linux de aparência simples, direcionado principalmente a programadores, funciona principalmente no modo texto, com utilização massiva do teclado para executar comandos de formatação, comandos estes que são geralmente compostos por uma única tecla. É muito poderoso, mas requer empenho para aprendê-lo e utilizá-lo de maneira produtiva.

EMACS: editor de texto rival do VI, com filosofia oposta, sendo uma central de aplicações, com jogos, agenda, calendário, leitor de email e navegador de internet entre outros. Funciona com opções em menus e comandos mneumônicos acionados por combinações de tecla, e no modo gráfico, o mouse pode ser utilizado. Editor mais amistoso que o VI para o usuário iniciante, mas requer um computador mais poderoso para rodá-lo com rapidez.

GEEK: (lê-se "guíqui") pessoa aficcionada por computador, que passa muito tempo com a máquina e geralmente conhece todos seus detalhes e de seus programas. Entres eles, se chamam com orgulhos de "geeks", mas para o resto da população são conhecidos como CDFs ou nerds.

Introdução

Todas as pessoas pesquisadas são empregados da empresa de informática Conectiva, que trabalham na área técnica, onde o uso do computador se faz necessário durante toda a jornada diária, servindo para todo o tipo de tarefas que precisam desempenhar na produção do Conectiva Linux.

Para a realização dessas tarefas, faz-se uso de diversos programas de computador, sendo que sempre há a opção de escolha entre pelo menos dois programas distintos, que realizam a mesma tarefa, de maneiras diferentes.

Para não ser muito abrangente e se perder num mundo de informações, esta pesquisa analisará apenas os comportamentos relativos à escolha dos editores de textos, programas indispensáveis a qualquer tipo de tarefa executada na empresa.

Existem vários editores de texto disponíveis, todos com o mesmo objetivo: editar o texto. Mas a escolha deste ou daquele editor para fazer seu texto caberá ao funcionário fazer, e geralmente esta se torna uma escolha permanente e fiel. Como times de futebol; de vários existentes, se escolhe um (por vários motivos distintos) e o defende, sempre que necessário, sendo-lhe fiel e devoto.

Apesar de existirem vários, há dois arquiinimigos que são de longe os mais utilizados e será sobre eles que esta pesquisa se desenrolará. São eles: "Vi" e "Emacs".

O objetivo desta análise é mapear a escolha por este ou aquele e traçar o perfil de seus utilizadores, para explicar a preferência.

Iniciativa

A iniciativa da pesquisa surgiu da observação desinteressada de comportamentos do dia-a-dia, que de tão peculiares e constantes, chamam a atenção.

Por este comportamento se mostrar presente em outras partes do mundo onde têm usuários de programas para o Linux, fato facilmente percebido em listas de discussões por email, onde não importa o tema da conversa, e a origem dos participantes, quando o tema editor de texto é tocado, cada um argumenta a favor do editor de sua preferência, esquecendo-se da discussão original.

Percebendo-se a universalidade deste fenômeno, a vontade de entendê-lo leva a esta pesquisa.

Características peculiares

Mas afinal, quais são estas características tão peculiares e universais, notadas em usuários de diversas partes do mundo? Piadas, defesa e "pregação", difamação da "concorrência", resistência à mudança, e em casos extremos, discriminação.

Primeiramente, expõe-se que o meio de comunicação preferido para todas essas manifestações é o email. É através dele que pessoas distantes fisicamente se unem em defesa de um programa numa discussão pública, juntam argumentos para inferiorizar um programa de seu desagrado e é claro, fazem amizades e inimizades segundo suas preferências por determinados programas. Discussões inflamadas e memoráveis sobre o tema em listas de discussões de usuários pelo mundo afora são conhecidas como "flame-wars", ou guerras santas, numa alusão realista sobre seu caráter quase que religioso, devido ao fanatismo e radicalismo de seus protagonistas.

Como temos usuários satisfeitos e insatisfeitos de ambos os lados da moeda, é muito comum encontrar textos sobre o assuntos. Os mais acessíveis e comuns são piadas, criticando certos aspectos do programa rival, e que são muito difundidas, principalmente em assinaturas de mensagens eletrônicas.

O inverso também, muitos fazem questão de explicitar sua escolha, colocando o nome o programa na assinatura e alguma citação que o engrandece.

Veja mais adiante nas seções "FRASES PREFERIDAS" e "ASSINATURAS DE EMAIL", alguns exemplos das situações citadas acima. A grande maioria dessas provocações podem ser resumidas em duas frases: "o Emacs é muito grande e faz muitas coisas inúteis" e "o Vi é muito difícil de usar e é primitivo".

Além das piadas, existem também diversos textos técnicos e sérios que tentam apontar as vantagens do uso de tal programa ao invés do rival. Como é difícil ser imparcial com paixões, estes textos "tendem a ser tendenciosos".

Como na frase clássica da bíblia, "diz-me que programas usa, que lhe direi quem és". Nesse meio, é muito comum se ter um pré-conceito de uma pessoa apenas por saber que ela utiliza um programa que não o mesmo do seu.

Essa escolha de sua gama de programas é tão importante e determinante que até há uma página na internet onde você se cadastra e ali além de seus dados identificatórios normais, você especifica qual são os programas que utiliza e a partir desses dados é gerado um código chamado de "geek code", muito utilizado em assinaturas de mensagens eletrônicas, como cartão de visitas e ao mesmo tempo determinando de que "turminha" a pessoa faz parte.

Um exemplo de "geek code":

---------------------------------------------------------
GP/CS/LS/ED !dpu- s:-- a33 C+++(++) UL$ !w--- L+++$ E>+ P
W++>+++ N(*)++ o++++ !w--- !O@- PS+@ PE+++ Y+ PGP++-+ G++
t+++ 5+@- X++- tv@- b+++ DI++ D++ e++>+++(*) h!*++ y++++
---------------------------------------------------------

Pode não parecer, mas nessas três linhas têm várias informações sobre a pessoa, como preferências de programas, o que gosta de fazer no tempo livre etc.

Como não poderia deixar de ser, a rivalidade é visível e constante. Na rivalidade saudável, é muito comum organizar times de futebol "Vi contra Emacs", ou discussões de boteco intermináveis sobre qual o melhor programa para executar determinada tarefa e de quantas maneiras diferentes e muito mais rápidas e inteligentes ele a faz, em relação ao seu rival.

Todos parecem gostar desse tipo de reação. Não importa o assunto, não importa o local, não importa os participantes, se o assunto sagrado (editores de texto) é tocado, longas discussões acontecem, geralmente em tom de brincadeira, exaltando as características técnicas de seu preferido e zombando dos defeitos do editor rival.

Até mesmo quando um funcionário novo chega no setor a pergunta primordial, já no primeiro dia de trabalho é: "que editor você usa?" a resposta vai definir a primeira impressão que ele vai passar aos futuros colegas.

Mas sempre temos o lado negativo, que quando muito acentuado, gera discriminação. Pode parecer impossível, mas existem pessoas que são discriminadas simplesmente por utilizar certo programa ao invés de outro. Isso pode se dar de maneira inconsciente, numa fala, numa escolha, numa reunião, ou de maneira consciente, pela imposição, como "use o editor X senão você está fora da equipe de trabalho".

A pesquisa

A pesquisa foi feita via internet, na primeira semana de junho do ano 2000, com um formulário "on-line" onde os pesquisados escolhiam entre várias opções disponíveis, seus gostos e histórico de uso de seu editor de textos favorito. A pesquisa foi restrita a funcionários da matriz em Curitiba apenas.

Entre os pesquisados estão técnicos que trabalham nas áreas de suporte, desenvolvimento/programação, publicações, traduções e diretoria, sendo homens e mulheres com idades variantes entre 18 e 50 anos. Ao todo 39 técnicos participaram da pesquisa.

Após feita toda a análise de resultados deste trabalho inicial, a pesquisa será melhorada, estendida, direcionada e divulgada para que pessoas de fora da empresa, ao redor do mundo, também participem via internet.

Análise preliminar

Alguns aspectos normalmente levados em conta em outras pesquisas, nessa são totalmente irrelevantes, pois não influem na escolha do editor de textos:

  • condição econômica: não importa pois o custo dos dois editores é zero. Eles são gratuitos e podem ser baixados da internet.
  • sexo: ambos os editores não possuem particularidades que possam ser identificadas como femininas ou masculinas, além de poderem ser amplamente configurados ao gosto do utilizador.
  • idioma: ambos são disponibilizados em inglês, e é neste idioma também que estão a maioria dos textos de ajuda e dicas de utilização. Em português, existem listas de discussão via email de ambos. Estando assim em pé de igualdade, a cultura também não influirá na escolha.
  • cultura: são editores. Nenhum valor ou alusão ao mundo real está associada à eles. logo, o uso independente da cultura do utilizador.
  • idade: como são apenas editores de textos, não possuem estética ou apelos que pudessem ser tidos como direcionados a alguma faixa etária em específico.
  • conhecimento do sistema operacional: como o aprendizado do uso do editor não depende do sistema operacional em qual ele está rodando, é irrelevante.

Análise dos resultados

O resultado da pesquisa se encontra no final, na seção "RESULTADOS DA PESQUISA". Com base nele, podemos fazer uma análise mais detalhada.

UTILIZAÇÃO
  • O Vi é o editor mais utilizado, com a preferência de 67% dos pesquisados;
  • Em segundo o Emacs, com 21%;
  • Os outros editores têm poucos adeptos, então não serão analisados.
TEMPO DE UTILIZAÇÃO
Nos resultados gerais, vemos que a maioria (42%) utiliza os editores a um tempo considerável, sentido-se à vontade com ele e sendo fiéis até 2 anos de utilização. Nos resultados comparativos, a utilização do Vi obedece essa regra (54%). Mas no Emacs é diferente, a maioria é de usuários novatos de até 6 meses (57%). Com estes dados poderíamos fazer duas conclusões apressadas e maliciosas:
  • "Quem ainda usa Emacs é porque ainda não teve a oportunidade de trocá-lo"
  • "Quem usa Vi é porque tem receio de experimentar novidades"
EDITOR ANTERIOR
Metade (50%) dos usuários de Emacs são ex-usuários de Vi. A recíproca não é verdadeira, estando os usuários de Vi divididos entre o Emacs e o Pico. O Pico é um dos editores mais simples e fáceis de se usar no Linux, é geralmente utilizado por iniciantes no sistema. Com base nisso podemos supor um roteiro padrão de utilização:
  • Ao começar a usar o Linux, a grande maioria usa o Pico;
  • Ao precisar de comandos mais avançados, parte para o Vi;
  • Caso não se adapte ao Vi, finalmente usa o Emacs.
LOCAL DE UTILIZAÇÃO
Independente de qual editor se escolha a maioria esmagadora (85%) o utiliza em outros ambientes além do trabalho, mostrando que sua utilização não estaria diretamente subordinada à uma imposição do trabalho, ou se sim, o costume acaba fazendo com que o editor seja utilizado em outros ambientes também, seja para aperfeiçoar o uso ou por simples falta de interesse em aprender a usar um outro.
FUNCIONALIDADE
Analisando as respostas dadas pela utilização que se faz do editor, temos algumas suposições interessantes. Usuários de Vi têm aparentemente um perfil de maiores conhecedores do sistema operacional Linux, interagindo mais com ele, pois apesar da edição de textos ser a maior utilização (38%), colado em segundo lugar (35%) vem a edição de arquivos de configuração, que é a utilização do editor para personalizar o funcionamento do sistema, de programas, ou serviços que a máquina pode estar disponibilizando. A edição de programas de computador vem em terceiro (27%). Concluindo, traçamos aqui um primeiro perfil, de usuários de Vi como administradores de sistemas. Já os usuários de Emacs, a maior utilização é textos (63%), vindo programas a seguir (38%). Então, diferentemente dos usuário de Vi, os de Emacs ou não editam muito arquivos de configuração, ou personalizam seu sistema através de programas próprios para isso, evitando o trabalho "braçal". Aliás, este é um perfil que se encaixa com a filosofia do editor, que já vem com várias facilidades prontas, enquanto que no Vi "o primata", tem que se fazer tudo "na mão", como costuma-se dizer no meio computacional. Uma outra visão nesta questão é que sendo Emacs um editor pesado, que demora para carregar e geralmente uma tarefa de configuração é algo rápido, geralmente apenas uma linha que se precisa alterar, alguns usuários de Emacs usam outros editores (como o próprio Vi) para fazer exclusivamente esta tarefa. O contrário (usuários de Vi usando Emacs para configurações) dificilmente seria visto &:)
MOTIVO DA UTILIZAÇÃO
Aqui nossa questão principal respondida pelos próprios pesquisados, temos um consenso inesperado. Apesar de os dois editores terem filosofias totalmente opostas, o resultado foi o mesmo para ambos. Metade dos usuários assinalaram que as qualidades técnicas do editor são um bom motivo para utilizá-lo, e em seguida a facilidade do uso. O que difere aqui e chama a atenção é que usuários do Vi têm mais motivos para justificar sua escolha, dando valor ao tamanho diminuto do programa (23%) e para derrubar a recém apresentada teoria de que o Pico era o editor dos iniciantes em Linux, 23% disseram que o Vi foi o primeiro editor que conheceram, e isso ajudaria a explicar a escolha, ou melhor, o acaso. Outra resposta que é exclusiva de usuários de Vi é que a influência dos amigos também contribui, sendo que tendo alguém mais experiente por perto para tirar as dúvidas, fica mais fácil se adaptar ao editor novo.
PAGAR PARA UTILIZAR
Ambos os editores são programas gratuitos, de livre distribuição, e mesmo os usuários tendo por eles um relacionamento quase que religioso, se tivessem que pagar por eles, muito poucos o fariam. Entrando o elemento "custo" em jogo, aquela escolha tão ostentada se vai pelo ralo, nada significando... Talvez uma justificativa para tal atitude seria a que sendo um programa comercial, ele deixaria de ser um programa livre, que se pode baixar da internet e ver seu código-fonte. Assim seria uma recusa filosófica e não financeira, além do que outras alternativas "livres" rapidamente surgiriam para tapar esta brecha deixada pelo editor que virou comercial. Caso a resposta filosófica não caiba, o que seria? Mágoas de uma sociedade capitalista implacável? Sinal de novos tempos de programas gratuitos de qualidade? Falta de dinheiro? Revolta ideológica contra a acumulação de riquezas? Uma coisa é fato: o fanatismo pelos editores é vulnerável ao obstáculo financeiro, quando não filosófico.
COMPRAR MERCHANDISING
Por outro lado, mais da metade dos pesquisados (61%) colocaria a mão no bolso para ostentar seu fanatismo, comprando camisetas, bonés, xícaras, canetas e outros produtos que tivessem o logo ou fizessem menção ao seu editor de textos. Isso reforça mais ainda a explicação "filosófica" para o não pagamento na utilização, pois com estes dados, percebemos que o problema não é o dinheiro em si.
TROCAR POR OUTRO
Fora o tópico custo, os usuários de Emacs parecem mais propensos a trocar de editor (50%) caso encontrem outro que lhes parecesse melhor tecnicamente. A paixão não é inabalável. Já os adeptos do Vi se dividem em melhorias técnicas e custo (novamente). Aqui achamos mais um ponto para nosso perfil? Seriam os usuários de Vi os mais pão-duros?
QUAL RIVAL ODEIA
Como imaginável, quem usa Vi odeia o Emacs e vice-versa. O ponto que chamou a atenção nos resultados foi que dos poucos usuários de Emacs (25%) que admitiram odiar outro editor, o alvo desse ódio modesto é exclusivamente o Vi. Já os "administradores primatas pão-duros" do Vi são mais radicais e fazem questão de demonstrar seu ódio pelos outros editores, sejam eles quais forem. Podemos acrescentar ao nosso perfil a palavra "radical".
REAÇÃO À RIVALIDADE
Em ambos os lados satirizar e fazer piadas do editor rival é a atitude preferida dos usuários para expressar sua desaprovação. Fora este aspecto, vemos em segundo lugar nos usuário de Emacs algo mais controlado e sensato, que é apresentar os motivos técnicos da superioridade de seu editor. Então até aqui temos um perfil de usuários de Emacs "novatos, comedidos e tecnicamente interessados" em seu editor. Já no outro lado da força, o que manda é a tentativa de angariar novos adeptos para fortalecer a comunidade e afirmar superioridade pura e simplesmente, sem necessariamente apresentar motivos (sejam eles quais forem) para isso. Para confirmar a radicalidade dos usuários de Vi, aqui também aparecem os tópicos "xingar" e "discriminar".
AMBIENTE DE TRABALHO
Apenas para contextualizar o uso do editor no sistema, e confirmar que isso também influi na escolha, vemos que usuários de Vi preferem o uso do modo texto, sem gráficos e ícones, simples como o Vi, enquanto os rivais preferem o modo gráfico, com suas facilidades de janelas e ícones. Geralmente quem usa um modo, não gosta do outro.

Análises posteriores

Perfis encontrados

Após esta análise ponto-a-ponto de cada tópico abordado na pesquisa, temos claros três perfis bem definidos entre os usuários dos editores de texto Vi e Emacs.

PERFIL COMUM
Comum a usuários de ambos os editores, temos uma pessoa que usa seu editor de textos no trabalho, em casa, na escola, onde der, pois este editor não é apenas uma ferramenta de trabalho. Ela o utiliza principalmente para escrever textos (surpreendente não?) e em sua opinião a escolha ocorreu pelas características técnicas e pela facilidade de uso do editor. Apesar dessa escolha ser ostentada, esta pessoa não pagaria pela utilização do programa e o trocaria caso virasse um editor comercial. Por outro lado, compraria produtos com a marca do seu editor estampada neles para externar sua preferência. Fazer piadas para ridicularizar o editor rival é sua atividade preferida na militância contra o "outro editor lá".
PERFIL EMACS
Como usuário do Emacs, temos uma pessoa que usa o editor há pouco tempo, ainda o conhecendo, aprendendo seus truques, após ter passado um tempo apanhando do Vi. Essa pessoa não gosta muito de configurar o sistema com seu editor, preferindo não fazê-lo, usar outro editor ou usar os programas especialistas. Temos aqui um usuário racional. Usa o editor porque o acha tecnicamente bom e o trocaria se encontrasse outro melhor, nesse meio tempo, demonstra aos outros dados técnicos de como seu editor é bom, mas nada muito radical, são reações discretas. O uso da interface gráfica é fundamental, com todas as facilidades que mouse, ícones e janelas trazem.
Emacs: técnicos detalhistas, comedidos e novatos.
PERFIL VI
Uma personalidade mais marcante para os usuários de Vi. Bem mais radicais que os anteriores, muitos começaram no Linux já com o Vi e nunca mais largaram, numa relação de anos. Os motivos da escolha inicial podem variar de qualidades técnicas a simplesmente influência de amigos, e como um administrador de sistemas ou "fuçador", gosta de personalizar a máquina e seus serviços. Ao defender seu editor, busca novos usuários mas não se preocupa em apresentar fatos, simplesmente diz que é melhor e pronto. Apesar da fé cega aparente, o usuário de Vi não admitiria ter que pagar por ele, e o trocaria no ato. Sua radicalidade é visível, pragejando todos os outros editores que conhece (e que não conhece), e usa prioritariamente o modo texto, considerado ultrapassado e retrógrado por muitos.
Vi: fuçador primata, pão-duro e radical

Análise dos perfis

Infelizmente o convívio no ambiente de trabalho não deixa notar características individuais que possam afirmar ou invalidar os perfis apresentados, isso mereceria um convívio mais íntimo e conhecedor. Mas como observador, é notável que muitas das conclusões alcançadas condizem com o comportamento real do grupo.

O mais notável de todos (pois está na tela) é o modo de operação do sistema. Vi modo texto, Emacs modo gráfico. Esse era um dado esperado, pois é um divisor de águas que separa os funcionários em dois grupos, onde quem usa o modo texto faz questão de afirmar que o modo gráfico é para afeminados (no caso masculino) e para novatos.

Parecem ser diferenças tão pequenas, mas como técnicos só sabem falar de assuntos técnicos, mesmo quando no lazer, usuários de programas/modos diferentes tendem a não se comunicarem muito pois não têm muito em comum. E quando há papo, são grandes as chances de uma estar zombando dos costumes do outro, sem hostilidade, na amizade.

O perfil Emacs é notado, pessoas mais caladas, que geralmente só falar de seu editor para revidar provocações, dificilmente atacam, mas uma vez na discussão a fervorosidade aparece. Inclusive, o autor do Emacs em pessoa (o americano Richard Stallman) esteve recentemente na Conectiva e ficou por lá alguns dias, e os usuários de Emacs não demonstraram algum interesse especial nele ou fizeram algum tipo de referência a ele pelo fato de ser o criador de seu editor.

Claro, não se pode generalizar, mas este perfil é visto em boa parte dos usuários, é notável.

O perfil Vi então, este aparece, não tem como esconder. O usuário de Vi está sempre incomodando, falando mal do Emacs, do Stallman, da interface gráfica, de outros editores. Geralmente ele nunca nem entrou no Emacs para ver como é, mas fala mal mesmo assim. É orgulho para eles utilizar um editor velho, com mais de 20 anos de idade e o fato de ele ser de difícil aprendizado, valoriza ainda mais o esforço de quem aprendeu, geralmente se dizendo que o Vi é "editor de macho". O usuário de Vi a princípio não é aberto a mudanças e prefere aprofundar seu conhecimento em um editor somente do que conhecer outros. Quanto ao dado que dificilmente pagariam para usar seu editor, isso pode estar diretamente ligado à filosofia de utilizar sempre programas de código aberto.

O fato de tentar converter outras pessoas ao uso do Vi é outra característica bem notável. Sempre que pode, o usuário faz a "propaganda" do editor, exaltando (e exagerando muitas vezes) suas qualidades, dizendo como ele bom, rápido e eficaz e como sua vida seria melhor com ele.

Já vi mudanças acontecerem, pessoas trocando de editor. Geralmente, alguém parte para o Emacs quando precisa editar algo muito complicado e o Emacs tem um módulo especial para isso, facilitando o trabalho. Por outro lado, usuários de Emacs que querem flertar com o Vi, apanham um pouco mais pois o aprendizado é demorado e ele vêm que têm que aprender a fazer coisas que no Emacs já tinha pronto.

Conclusão

Acima de tudo, toda essa história de rivalidades é muito engraçada. É sempre um ponto de escape e descontração a discussão saudável, e se aprende algo com elas.

Apesar de eu ter citado problemas sérios como discriminação, nunca vi isso acontecer de maneira real e contundente, apenas coisas pequenas, contornáveis, geralmente em tom de brincadeira.

Essa pesquisa e essa análise me foram muito proveitosas. Consegui entender um pouco uma realidade que vivo e não tinha percebido seus detalhes e consegui traçar perfis reais que não tinha antes percebido em sua totalidade.

Entendendo todo esse processo, fica mais fácil conviver com ele e prestar mais atenção, percebendo mais detalhes e curtindo esta realidade.

Não imaginava que uma experiência antropológica poderia ser divertida assim.

Ah! A propósito: todo este trabalho foi feito no Vi, o MELHOR editor &;)

Agradecimentos

  • Rodrigo Bernardo Pimentel
  • Rodrigo Stulzer Lopes

Por terem feito críticas contrutivas a esta análise e assim pude melhorá-la.

Adendos

Letra de música para o Emacs

Welcome to GNU Emacs    (Feita por Jamie Mason para a música
--------------------     "Welcome to the Jungle" do Guns 'n' Roses)

<Heavy guitar intro, "Oh my GOD!" spoken in the background...>

Welcome to GNU Emacs
We've got fun'n'games
We got evrything you want
If you just know the names
We are people that define
Whatever you may need.
If you've got the mem'ry, honey
We got your disease

In GNU Emacs
Welcome to GNU Emacs
Watch it bring your system to its knees.
I, I wanna fill yer disk

Welcome to GNU Emacs
We malloc() K by K
If you want it you're gonna thrash
But it's the price you pay
And it's a very fast machine
With sixty megs of core
It used to handle lotsa users
But can't do it anymore
In GNU Emacs
Welcome to GNU Emacs
Won't you feed my... my... my... my... mem'ry need?
I wanna hear you thrash!

Welcome to GNU Emacs
It gets bigger ev'ry day
You learn to fill all the disk packs
On the system where we play
And if you've got some swap that we can see
We'll brk() it eventually
You can allocate anything you want
But you'd better not take it from me

In GNU Emacs
Welcome to GNU Emacs
Watch it bring your system to its knees
I'm gonna fill yer disk

When you're up
You never ever wanna shut down, shutdown, shutdown, SHUTDOWN!
YEAH!

You know where you are?
You in GNU Emacs, baby.
Yer system's gonna DIE!
In GNU Emacs
Welcome to GNU Emacs
Watch it bring your system to its knees
In GNU Emacs
Welcome to GNU Emacs
Won't you feed my... my... my... my... mem'ry need?
In GNU Emacs
Welcome to GNU Emacs
Watch it bring your system to its knees
In GNU Emacs
Welcome to GNU Emacs
Watch it bring your system...
It's gonna bring it down!
HA!

Significados satíricos para a sigla Emacs

http://www.cgd.ucar.edu/gds/thibaud/Emacs/slides.html

                      E. M. A. C. S.
                Emacs Makes A Computer Slow
               Escape Meta Alt Control Shift
               Emacs Makers Are Crazy Sickos
             Emacs Makes All Computing Simple
            Emacs Makefiles Annihilate C-Shells
            Emacs Manuals Always Cause Senility
            Emacs May Allow Customized Screwups
           Emacs Manuals Are Cryptic and Surreal
          Eventually Munches All Computer Storage
          Eight Megabytes And Constantly Swapping
          Elsewhere Maybe All Commands are Simple
         Excellent Manuals Are Clearly Suppressed
         Emacs May Alienate Clients and Supporters
         Except by Middle Aged Computer Scientists
        Extended Macros Are Considered Superfluous
        Every Mode Accelerates Creation of Software
      Each Manual's Audience is Completely Stupefied
 Exceptionally Mediocre Algorithm for Computer Scientists
Easily Maintained with the Assistance of Chemical Solutions
Eradication of Memory Accomplished with Complete Simplicity

Frases

Obs.: As frases são verdadeiras colhidas em listas de discussão. Os comentários entre parênteses são meus para explicar o contexto.

"Se você quer modo visual, use o Emacs mesmo, sem emulação de um progamelho que é um mero front-end pro ed (o verdadeiro "editor pra macho")!"

(Ed é um editor muito antigo, onde não se vê o texto, bem difícil de se usar, é o avô do Vi e do Emacs)

"Tem o fte no modo texto e o wpe... considero ambos muito bons (e prefiro o fte)... vc tb pode usar o vi... mas vi eh coisa para macho de verdade (eu nao uso...)"

(Mensagem mandada na maior lista de Linux do país, por alguém que deve ter se arrependido do "eu não uso", logo após o "macho de verdade"...)

"Como disse o Farias aqui, tem um cara no suporte corporativo que sempre tem Emacs instalado. Se acabar o espaço em disco, ele sabe que tem 20M livre. :-)))"

(Uma alusão ao tamanho do Emacs, que só serve para você apagá-lo e ganhar mais espaço no computador)

EMACS:
  And God said 'M-x light', and there was light.

VI:
  e eva disse a adão ':r maçã', e ele fez. e viu que era bom.
  e adão resolveu fazer ':split eva', e começou o pecado no mundo.
  depois fizeram juntos ':r /proc/kcore', ':w caim', ':w abel'.

  então caim fez um ':e /dev/null' e depois ':w! abel'. e deus viu
  que não tinha como voltar, pois caim apagou o arquivo .swp.

(Teorias sobre a criação utilizando os comandos dos editores)

TEOREMA: o VI é perfeito.
PROVA: VI em números romanos é 6.
       Os números naturais que são divisores de 6 são 1, 2 e 3.
       1+2+3 = 6. Então 6 é um número perfeito.
       Logo, o VI é perfeito.

(Como se as explicações técnicas não fossem suficientes, os usuários ainda inventam teoremas para provar superioridade)

Assinaturas de email

Assinaturas de email verdadeiras colhidas em um mês:

-rwxr-xr-x  1 root          24 Oct 29  1929 /bin/ed
-rwxr-xr-t  4 root      131720 Jan  1  1970 /usr/ucb/vi
-rwxr-xr-x  1 root  5.89824e37 Oct 22  1990 /usr/bin/emacs

(Alusão ao tamanho grande do Emacs, que ocupa muito espaço no computador, esta é uma listagem de arquivos, sendo o número logo após o 'root' o tamanho do programa)

vi is [[13~^[[15~^[[15~^[[19~^[[18~^ a muk[^[[29~^[[34~^[[26~^[[32~^ch
better editor than this emacs. I know I^[[14~'ll get flamed for this but
the truth has to be said. ^[[D^[[D^[[D^[[D ^[[D^[^[[D^[[D^[[B^
exit ^X^C quit :x :wq dang it :w:w:w :x ^C^C^Z^D
        -- Jesper Lauridsen <rorschak@daimi.aau.dk> from alt.religion.emacs

(Assinatura muito engraçada ilustrando um usuário novato no Vi se batendo com seus comandos. Ilustra a dificuldade inicial que se tem com o Vi e a principal delas num primeiro encontro: como sair do maldito Vi &:) )

iEmacs is the best editor<ESC>
0cwVI(m)<ESC>

(Assinatura simulando a escrita de uma frase no Vi, misturando texto com comandos, a ação é: após ter escrito a primeira frase, volta e troca Emacs por VI, fazendo a frase "o VI é o melhor editor")

Emacs significa Esc Meta Alt Control Shift

(Alusão ao modo de se usar o Emacs, onde se faz uso extensivo das tecla de controle do teclado)

O Emacs é um bom sistema operacional,
apenas carece de um bom editor de textos.

(A frase preferida dos usuários de Vi para denegrir o rival, dizendo que apesar de suas mil e uma utilidades, pra editar um texto mesmo, o Emacs não serve)

O vi é uma boa biblioteca de funções de manipulação de texto,
só falta um programa para usá-las.

(Resposta do usuários de Emacs à frase anterior, salientando a dificuldade de utilização do Vi)

O vi só tem dois modos de operação, um que bipa e outro que não.

(Situação comum para quem não sabe utilizar o Vi direito, ele fica apitando a todo momento, a cada erro)

Linux? Does that run on Emacs?

(Ótima tirada sobre o fato do Emacs ter muitos aplicativos embutidos, sendo considerado satiricamente como um sistema operacional, e nesta frase equiparado a algo maior até que o próprio sistema onde ele roda, o Linux)

"vi" is "Evil" without Emacs lisp!

(Frase que diz que o Vi é mal porque não tem a linguagem de programação "lisp" do Emacs. É um jogo com as letras: evil - el = Vi)

O Emacs além de um estilo de vida é um desperdício de espaço em disco!

(Novamente, alusão ao tamanho grande do Emacs)

VI-R-US

(Do inglês "Vi are us", algo como "somos Vi")

Resultados da pesquisa

TOTAL de pesquisados: 39 pessoas

Resultados gerais de todos os editores

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Editor utilizado     Tempo de utilização      Local de utilização
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26 67% Vi             8 21% até 6 meses       33 85% em todos os lugares
 8 21% Emacs         16 42% até 2 anos         5 13% no trabalho
 2  5% joe            9 24% até 5 anos         1  3% em casa
 1  3% xedit          5 13% mais de 5 anos
 1  3% mcedit
 1  3% fte

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Usa o editor para                      Motivo da utilização
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16 41% textos                          21 54% é melhor tecnicamente
12 31% programas                       11 28% é mais fácil de usar
12 31% arquivos de configuração        10 26% é simples
 5 13% qualquer coisa                   7 18% foi o primeiro que conheci
 4 10% emails                           6 15% é bem documentado
 4 10% documentos formatados            6 15% o binário é menor
 1  3% tudo menos trabalhos escol.      6 15% amigos o usavam
                                        5 13% imposição do trabalho
                                        3  8% minha mãe mandou
                                        1  3% é complexo
                                        1  3% pessoas famosas o usam
  
------------------------------------------------------------------------
Operação do sistema        Preferência por mouse ou teclado
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15 39% modo gráfico        28 76% configurar teclas de função do teclado
14 37% modo texto           9 24% escolher menus/ícones com o mouse
 9 24% frame buffer
  
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Como reage à rivalidade
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12 31% faço piadas/tiro sarro
10 26% digo que meu editor é muito melhor
 8 21% tento evangelizar os usuários do editor rival
 8 21% mostro como tecnicamente meu editor é melhor
 6 15% divulgo problemas do editor rival
 4 10% discrimino que usa outro editor
 4 10% xingo a esmo

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Pagaria para usá-lo?            4 10% sim         35 90% não
Compraria merchandising dele?  23 61% sim         15 39% não
Trocaria ele por outro?        15 38% sim         24 62% não
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Resultados comparativos do dois mais usados

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             26 67% Vi              |           8 21% Emacs
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Vi                         há quanto tempo usa                     Emacs
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  4 15% até 6 meses                 |  4 57% até 6 meses
 14 54% até 2 anos                  |  1 14% até 2 anos
  4 15% até 5 anos                  |  2 29% até 5 anos
  4 15% mais de 5 anos              |  0  0% mais de 5 anos
------------------------------------------------------------------------
Vi                           usava antes *                         Emacs
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 6 23% Emacs                        |  4 50% Vi
 6 23% Pico                         |  2 25% Pico
 3 12% mcedit                       |  2 25% mcedit
 1  4% joe                          |  1 13% joe
                                    |  1 13% jed
------------------------------------------------------------------------
Vi                             usa para *                          Emacs
------------------------------------------------------------------------
10 38% textos                       |  5 63% textos
 9 35% arquivos de configuração     |  3 38% programas
 7 27% programas                    |  2 25% emails
 5 19% qualquer coisa               |  2 25% documentos formatados
 2  8% emails                       |  2 25% arquivos de configuração
 2  8% documentos formatados        |
 1  4% tudo menos trabalhos escol.  |
------------------------------------------------------------------------
Vi                           por que usa *                         Emacs
------------------------------------------------------------------------
14 54% é melhor tecnicamente        |  5 63% é melhor tecnicamente
 7 27% é mais fácil de usar         |  2 25% é mais fácil de usar
 7 27% é simples                    |  2 25% é bem documentado
 6 23% o binário é menor            |  1 13% é simples
 6 23% foi o primeiro que conheci   |  1 13% é complexo
 6 23% amigos o usavam              |  1 13% imposição do trabalho
 4 15% é bem documentado            |  1 13% foi o primeiro que conheci
 4 15% imposição do trabalho        |
 3 12% minha mãe mandou             |
 1  4% pessoas famosas o usam       |
------------------------------------------------------------------------
Vi                    trocaria por outro, motivo                   Emacs
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 1 Caso seja melhor tecnicamente.   |  1 Se tivesse mais recursos e
 1 Nada dura para sempre            |    fosse mais intuitivo
 1 Se virasse comercial (SUX!)      |  1 se o outro se mostrasse bem
 1 free, sempre free!!!!!!!         |    melhor.
 1 permanecer no emprego            |  1 tá louco, pagar por um editor
 1 se for melhor tecnicamente       |    de textos?
                                    |  1 Se acrescentasse opções de
                                    |    baixo nível, como edição de
                                    |    setores de disco, inodes,
                                    |    plânctons e mésons...
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Vi                    quem usa odeia os editores *                 Emacs
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 7 27% Emacs                        |  2 25% Vi
 4 15% joe                          |
 3 12% xedit                        |
 3 12% todos os outros              |
 3 12% Pico                         |
 3 12% mcedit                       |
 1  4% jed                          |
------------------------------------------------------------------------
Vi               os usuários externam seu ódio assim *             Emacs
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 9 faço piadas/tiro sarro           |  3 faço piadas/tiro sarro
 7 tento evangelizar os usuários do |  2 mostro como tecnicamente meu
   editor rival                     |    editor é melhor
 7 digo que meu é muito melhor      |  2 divulgo problemas do editor
 6 mostro como tecnicamente meu     |    rival
   editor é melhor                  |  2 digo que meu é muito melhor
 4 xingo a esmo                     |  1 tento evangelizar os usuários
 4 divulgo problemas do editor      |    do editor rival
   rival                            |
 4 discrimino que usa outro editor  |
------------------------------------------------------------------------
Vi                        como usa o sistema                       Emacs
------------------------------------------------------------------------
12 48% modo texto                   |  7 88% modo gráfico
 7 28% frame buffer                 |  1 13% frame buffer
 6 24% modo gráfico                 |
------------------------------------------------------------------------
                              miscelânea
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                                Vi             |          Emacs
                      -------------------------------------------------          
 pagaria pra usar  :  24 92% não    2  8% sim  |  6 75% não   2 25% sim
 compraria bagulhos:   9 36% não   16 64% sim  |  3 38% não   5 63% sim
 trocaria por outro:  18 69% não    8 31% sim  |  4 50% não   4 50% sim
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* OBS.: respostas de múltipla escolha

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