Dois corpos, um espaço

Domingo é o dia!

O dia da mudança.
O dia das caixas.
O dia de carregar tralhas.
O dia de ter um endereço novo.
O dia de virar catarina.
O dia de dizer: querida, cheguei!

Essa história começou há dois anos atrás, em um luau nas areias da praia de Matinhos. Foi onde conheci a menina que iria mudar completamente a minha vida. Morgana era seu nome. Ou simplesmente Mog.

Uma amiga em comum nos apresentou, e já no primeiro instante em que vi aquele sorrisão lindo, com aqueles olhos azuis brilhantes, cabelos soltos queimados do sol, num vestidinho colorido que adornava um corpão de tirar o fôlego, gamei.

Faíscas. Frio na barriga. Uau.

Na areia conversamos durante horas, o luau ficou em segundo plano. Quanto mais eu ouvia, mais queria ouvir. Aquela menina era tão interessante, ela contava detalhes sobre sua vida, sua família, seu cachorro, seus amigos, seus estudos, suas ideias e ideais. Do trivial ao denso, suas palavras soavam como uma música doce que me embalava num torpor eufórico.

É ela.

Suas frases confirmavam que ali estava alguém realmente especial. Alguém que não era comum, que não era apenas mais uma. Não era somente um corpo, não era somente uma conquista. Enfim, uma mulher de verdade. E ela só tinha 21 anos.

Mas assim?
Em Matinhos?
Nesta noite?
É uma pegadinha?
Cadê a câmera?

Hoje eu sei, não era uma pegadinha. Aquela foi mesmo a noite em que conheci a mulher da minha vida. Por mais brega que soe esse termo “Mulher da vida”, é o que melhor define o que a Mog significa para mim: vida. Em todos os sentidos.

E neste domingo minha vida ganha ainda mais cores: mudo-me para Joinville. Após dois anos de namoro à distância, finalmente irei tê-la ao meu lado, na mesma cidade, no mesmo lar.

Eu nunca acreditei em namoro à distância, mas não é que dá certo? Não é nada fácil, a distância dói. Foram milhares de quilômetros rodados em viagens para lá e para cá, muitas e muitas horas no telefone (santo Skype), dezenas de SMS trocados todos os dias, vários e-mails diários e até cartas pelo correio.

Nunca moramos na mesma cidade. Quando ela morava em Curitiba, eu estava em Matinhos. Quando eu vim para Curitiba, ela já estava de volta em Joinville.

Nosso apê está lindo, é a nossa cara. É pequeno e simples, perfeito para um casal. O seu único problema é estar vazio. Felizmente, isso muda em poucos dias. Então vai ficar cheio de amor, música, alegria, risadas, cores, sonhos, cheiros e paixão.

Esperei tanto por este momento, é até difícil de acreditar que ele finalmente chegou.
Ansiedade. Euforia. Realização. Paz. Tudo.
Chega logo domingo, chega!

— EOF —

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