Show do No Use For A Name (NUFAN) em Curitiba

No Use For A Name em Curitiba Com 20 anos de banda, esta é a primeira vez que o No Use For A Name (NUFAN para os íntimos, No Use para os mais íntimos) vem ao Brasil. Esta é uma de minhas bandas preferidas, que já escuto há mais de 10 anos. Como eu estava em Curitiba aproveitando o último final de semana de minhas férias, fui lá ver os caras.

O show aconteceu no dia 11 de Agosto de 2007, na Hellooch, antigo Moinho São Roque. Lugar grande, enorme, gigantesco. Nada a ver com um show de hardcore. Não tinha muita gente no início, só encheu mesmo no show principal.

O No Use pode ser considerado como um dos “pioneiros do Emo” no hardcore, pois eles sempre tiveram um som mais melódico e suas letras são emotivas. Mas diferente do “chororô balançante” da nova geração, seu som é rápido e rasteiro, um tapa na orelha, como manda a boa e velha cartilha HC.

A banda (EMO) de abertura

Não percebendo essa diferença crucial de gerações, a organização escalou uma banda Emo para abrir o show. Parece que o nome era Sparta. Cinco piás trajados de Emo, com direito a franjinha no olho e cara de por-favor-me-bata.

Como a maioria do público era formada pela geração pré-emo, que conheceu o hardcore pelas bandas da Epitaph e Fat Wreck Chords, o previsível aconteceu: a banda recebeu uma recepção gélida e apática, que já é marca registrada dos curitibanos.

Visualize a cena: todo o público em pé em frente ao palco, imóvel, olhando a banda sem esboçar reação.

Mas além da indiferença, a banda também foi hostilizada. Confira algumas das manifestações que aconteceram durante o show:

  • Braços levantados, balançando de um lado para o outro, com o dedo médio levantado em ambas as mãos.
  • Braço levantado com um isqueiro aceso, típico de shows românticos.
  • “Casais” de machos dançando desengonçadamente, tipo valsa.
  • Coro bradado em alto volume: “Emo! Viado! Tá no show errado!”.
  • Aplausos calorosos somente quando o vocalista disse “Agora vamos tocar a saideira”.

Eu admito que os piás tocavam bem e as melodias eram criativas. Mas eles não souberam reagir ao “freezer curitibano” e a banda empolgada das primeiras notas deu lugar a um quinteto acanhado que parecia querer sair daquele palco o mais rápido possível.

Eu curto algumas bandas Emo, como Yellowcard, Rufio, The Used, NX Zero e até mesmo a “Emo.” (colocar ponto no nome da banda é mega Emo). Mas nunca tinha visto ao vivo. Simplesmente não combina. O cara tirando um riff pesado na guitarra e ao mesmo tempo balançando o corpinho como se estivesse ouvindo um Fábio Jr… Sério. Nadaver.

A segunda banda: Boobarellas

Depois veio o Boobarellas, um trio local que detonou a banda anterior (que eram 5 integrantes) em termos de peso, velocidade e pegada. Menos é mais.

No intervalo das músicas eles jogaram vários CDs para a platéia, isso foi bem simpático, além de ajudar muito na divulgação da banda. Apesar de suas músicas serem bem animadas e empolgantes, todos queriam mesmo era ver a banda gringa.

No Use For A Name em CuritibaEnfim, o No Use

Primeiro tocou uma música eletrônica dançante, depois as cortinas abriram e já de cara eles mostraram que vieram com gás. As músicas foram tocadas bem rápidas e surpreendentemente o som estava muito bom. Era possível ouvir bem o vocal e todos os instrumentos. Isso é realmente estranho em um show de hardcore :)

A roda de pogo começou já no início da primeira música e durou todo o show, sem pausas. Foi uma roda boa, com somente alguns poucos manés que não sabiam “dançar” e estavam batendo “errado”.

Em um momento de pausa o vocalista disse que eles já tinham passado pelo Chile e Argentina (vaias após o pronunciamento dessa palavra), mas que gostaram mais do Brasil. Várias vezes repetiram “vocês são incríveis” (amazing), eles pareciam realmente estar curtindo muito fazer aquele show.

Apesar das músicas do No Use serem em inglês, muitas pessoas sabiam cantá-las. O coro em uníssono é algo que não se explica, só estando lá para experimentar. Arrepia mesmo.

Na noite gelada curitibana, voltei para casa suado e fedido, com dores fortes nos braços, tronco e pés. Muitas pancadas durante o show. E claro, o sorriso estampado no rosto. Ah, como é bom pogar… Nada como sair do show com aquela sensação de “missão cumprida”: vim, cantei, chutei :)

Dê uma olhada neste vídeo, para sentir um pouco o clima do show:

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